Tag: Carpe Diem
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Ricardo Reis – Odes: 80 – A nada imploram tuas mãos já coisas,

A nada imploram tuas mãos já coisas, Nem convencem teus lábios já parados, No abafo subterrâneo Da húmida imposta terra. Só talvez o sorriso com que amavas Te embalsama remota, e nas memórias Te ergue qual eras, hoje Cortiço apodrecido. E o nome inútil que teu corpo morto Usou, vivo, na terra, como uma alma,…
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Ricardo Reis – Odes: 63 – Tão cedo passa tudo quanto passa!

Tão cedo passa tudo quanto passa! Morre tão jovem ante os deuses quanto Morre! Tudo é tão pouco! Nada se sabe, tudo se imagina. Circunda-te de rosas, ama, bebe E cala. O mais é nada.
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Ricardo Reis – Odes: 61 – De uma só vez recolhe

De uma só vez recolhe Quantas flores puderes. Não dura mais que até à morte o dia. Colhe de que recordes. A vida é pouco e cerca-a A sombra e o sem remédio. Não temos regras que compreendamos, Súbditos sem governo. Goza este dia como Se a Vida fosse nele. Homens nem deuses fadam, nem…
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Ricardo Reis – Odes: 40 – Não sem lei, mas segundo leis diversas

Não sem lei, mas segundo leis diversas Entre os homens reparte o fado e os deuses Sem justiça ou injustiça Prazeres, dores, gozos e perigos. Bem ou mal, não terás o que mereces. Querem os deuses a isto obrigar Porque o Fado não tem Leis nossas com que reja a sua lei. Quem é rei…
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Ricardo Reis – Odes: 1 – Mestre, são placidas

Mestre, são plácidas Todas as horas Que nós perdemos, Se no perdê-las, Qual numa jarra, Nós pomos flores. Não há tristezas Nem alegrias Na nossa vida. Assim saibamos, Sábios incautos, Não a viver, Mas decorrê-la, Tranquilos, plácidos, Tendo as crianças Por nossas mestras, E os olhos cheios De natureza… À beira-fio, À beira-estrada, Conforme calha,…
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Ricardo Reis – Odes – Livro I – XIII – Olho os campos, Neera,

Olho os campos, Neera, Campos, campos e sofro Já o frio da sombra Em que não terei olhos. A caveira antessinto Que serei não sentindo, Ou só quanto o que ignoro Me incógnito ministre. E menos ao instante Choro, que a mim futuro. Súdito ausente e nulo Do universal destino.
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Marina Colasanti – Sexta-feira à noite

Sexta-feira à noite Os homens acariciam o clitóris das esposas Com dedos molhados de saliva. O mesmo gesto com que todos os dias Contam dinheiro, papéis, documentos E folheiam nas revistas A vida dos seus ídolos. Sexta-feira à noite Os homens penetram suas esposas Com tédio e pénis. O mesmo tédio com que todos os…
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Jaime Gil de Biedma – Não Voltarei a ser Jovem

Que é certo a vida passa só se começa a compreender mais tarde — como todos os jovens, decidi levar a minha vida por diante. Deixar marca eu queria e partir entre aplausos — envelhecer, morrer, eram somente as dimensões do teatro. Porém, passou o tempo e a verdade mais amarga assoma: envelhecer, morrer, é…
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Rainer Maria Rilke – Dia de Outono

Senhor, foi um verão imenso: é hora.Estende as tuas sombras nos relógiosde sol e solta os ventos prado afora. Instiga a sazonarem, com dois diasa mais de sul, as frutas que, tardias,conduzes rumo à plenitude, e apura,no vinho denso, a última doçura. Quem não tem lar já não terá; quem morasozinho há de velar e…