Tag: Carpe Diem
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Antonio Cícero – O Fim da Vida

Conheci da humana lida a sorte: o único fim da vida é a morte e não há, depois da morte, mais nada. Eis o que torna esta vida sagrada: ela é tudo e o resto, nada.
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Ernest Dowson – Vitae Summa Brevis Spem Nos Vetat Incohare Longan

Vitae Summa Brevis Spem nos Vetat Incohare Longam (A Brevidade da Vida Impede que Possamos Acalentar Longas Esperanças) – Horácio A alegria, o desejo, o pranto, o amor E a raiva duram pouco. Nada disso, que eu saiba, há de transpor O umbral conosco. Poucos dias de rosas e de vinho: Surge num vago sonho…
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Mário Quintana – Pequeno Poema Didático

O tempo é indivisível. Dize, Qual o sentido do calendário? Tombam as folhas e fica a árvore, Contra o vento incerto e vário. A vida é indivisível. Mesmo A que se julga mais dispersa E pertence a um eterno diálogo A mais inconseqüente conversa. Todos os poemas são um mesmo poema, Todos os porres são…
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Thiago de Mello – O Morto

Qual a verdade que o morto conheceu, além dos muros, e lhe fez cerrar os lábios estrangulando a palavra porventura essencial? Enfim livre da cegueira, que paisagem contemplou para que o rosto lhe turve tão rude ruga de mágoa? Soube talvez que melhor fora mostrar-se de todo: desvelar inteira a face, seus amores e seus…
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Cassiano Ricardo – Gramática Visual de Cristo

1 “Cristo, terá sido em vão teu sacri- fício? vê, o sangue escorre, acre, no massacre das ruas.” Cristo espalmou a mão cobrindo os olhos horizontalmente pra não ver a destruição do ser 2 “Cristo, vê os pequeninos que tanto amaste agora garotos nos becos como ratos dentro de sapatos rotos.” Cristo escondeu, de novo,…
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Ricardo Reis – Odes: 153 – Como este infante que alourado dorme

Como este infante que alourado dorme Fui. Hoje sei que há morte, Lídia, há largas taças por encher Nosso amor que nos tarda. Qualquer que seja o amor ou a taça, cedo Cessa. Receia, e apressa.
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Ricardo Reis – Odes: 144 – Uns, com os olhos postos no passado,

Uns, com os olhos postos no passado, Vêem o que não vêem; outros, fitos Os mesmos olhos no futuro, vêem O que não pode ver-se. Porque tão longe ir pôr o que está perto — A segurança nossa? Este é o dia, Esta é a hora, este o momento, isto É quem somos, e é…
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Ricardo Reis – Odes: 105 – Quando, Lídia, vier o nosso Outono

Quando, Lídia, vier o nosso outono Com o inverno que há nele, reservemos Um pensamento, não para a futura Primavera, que é de outrem, Nem para o estio, de quem somos mortos, Senão para o que fica do que passa – O amarelo atual que as folhas vivem E as torna diferentes.