Marisa de la Peña – O tempo que nos resta

“Somos o tempo que nos resta”
J. M. Caballero Bonald.

É isso o que somos: o tempo que nos resta,
o último batimento interrompido,
a palavra não dita,
o deserto cruzado,
e o caminho sem nome
que deixamos para trás.

Somos o abandono, a intempérie,
as luzes apagadas,
e as portas, fechadas para sempre,
ao fim de um adeus forjado nos costumes.

Mas somos o tempo que nos resta,
a voz que não se apaga,
a enxada que ainda golpeia, sem se render,
o poema não escrito,
a ópera inacabada de Puccini,
a derrota assumida, mastigada.
E o que nos resta para viver.

Trad.: Nelson Santander

El tiempo que nos queda

“Somos el tiempo que nos queda”
J. M. Caballero Bonald.

Eso somos: el tiempo que nos queda,
el último latido detenido,
la palabra no dicha,
el desierto cruzado,
y la senda sin nombre
que dejamos atrás.

Somos el abandono, la intemperie,
las luces apagadas,
y las puertas, cerradas para siempre,
tras un adiós forjado en la costumbre.

Pero somos el tiempo que nos queda,
la voz que no se apaga,
la azada que aún golpea, sin rendirse,
el poema no escrito,
la ópera inacabada de Puccini,
la derrota asumida, masticada,
y aquello que nos queda por vivir.

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