Tag: Carpe Diem
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Javier Salvago – Canção do Esquecimento

A cor dos olhos daquele amor juvenil.O calor do primeiro beijo, que não consigorecordar, embora saiba que deve ter sidoinesquecível. Tantos colegas e amigosda escola ou de farra, que um dia foram íntimos.O latim. Tantos nomes de montanhas e rios.Tantas duras lições. Tantos e tantos livros, com paixão devorados, sempre abertos, lidose esquecidos, assim como…
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Joan Margarit – Manhã no cemitério de Montjuïc

Fui à colina dos túmulos:lá cheguei cruzando o ermoda Can Tunis, coberto de seringase de plásticos pardacentos, onde tremem, errantes,as estátuas de trapo dos drogados.Corre o boato de que a Prefeiturairá destruí-lo, cobrindo de concretoos terrenos com mato em frente à enorme grade do cemitério, erguida de frente para o mar.Que má companhia será para…
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Robyn Sarah – Rebitados

É possível que as coisas não fiquem melhoresdo que estão agora, ou como imaginamos que estejam.É possível que já tenhamos ultrapassado o meio agora.É possível que tenhamos cruzado as Grandes Águassem sabe-lo, e que agora estejamos do outro lado. Sim, acho que já as atravessamos. Agora estamos recebendo ingressos, e eles não são ingressos para…
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Frank O’Hara – Animais

Você já se esqueceu de como éramos quando éramos de primeira linhae o dia vinha gordo com uma maçã em sua boca não vale a pena se preocupar com o Tempo mas nós tínhamos alguns truques nas mangase dobramos algumas esquinas afiadas todo pasto parecia nossa refeiçãonão precisávamos de velocímetrospodíamos gerenciar coquetéis sem gelo e…
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Ada Limón – O fim da poesia

“O fim da poesia”, um poema de Ada Limon que questiona a suficiência da própria linguagem poética diante da experiência concreta da vulnerabilidade humana.
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Philip Larkin – Canções de amor na velhice

Ela guardou canções, tomavam pouco espaçoE as capas lhe eram belas:Uma que apanhou sol e de matizes baços;Uma cheia de círculos de jarra d´água;Uma colada, num “acesso de ordem” dela,E colorida, pela filha – aguar-daram assim, até que em sua viuvez asAchou, procurando algo, e pôs-se dessa vez a Reaprender como cada acorde, obedienteE franco,…
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Javier Salvago – Variações sobre um velho tema

Os violinos de Verlaine. Os sonhados caminhos da tarde, de don Antonio.* Um velho cheiro de campo. Um velho cheiro de lápis e cadernos. O céu cinzento. O vento entre as árvores. A carícia das primeiras chuvas. A tristeza sem causa. A solidão sonora. A noite, cada vez mais escura e prolongada. Um cigarro que,…
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Marissa Davis – Singularidade

Singularidade (depois de Marie Howe) no início sem verboiguana & mirramagma & mariposa-fantasma do recife& os cordyceps fazendo cócegas em seus nervos& cedro & arquipélago & anêmonapássaro dodo & cardeal esperando por seu salvermelho do oceano & óleo cru agora lama preta agora o mais naïve plâncton hesitantecada ovo agarrado à cópia maleávelde mim não-mulher…
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Edna St. Vincent Millay – Até tarde

Com a faca cega do Sono, se quiser,Corte cada dia pela metade, amado —Os anos que o Tempo tira do meu viver,Ele deduzirá daquele outro lado! Trad.: Nelson Santander Midnight Oil * Cut if you will, with Sleep’s dull knife,Each day to half its length, my friend,—The years that Time takes off my life,He’ll…
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Derek Mahon – Tudo vai ficar bem

Como eu não ficaria feliz em contemplaras nuvens que se dissipam além da janela do sótãoe a maré alta refletida no teto?Haverá mortes, haverá mortes,mas não há necessidade de falar sobre isso.Os poemas fluem espontaneamente da mãoe a fonte oculta é o coração vigilante.O sol se levanta, apesar de tudo,e as distantes cidades são belas…