Tag: Carpe Diem
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Joseph Hillman – Para capturar a mim mesmo

Para capturar a mim mesmoeu devo cavar um buraco Perfurar a película quesepara a vida da morteCom pá, pá de corteou mãos afiadas Fazer a terra desabrocharEm uma floração de preto e ocre Permitir que os muros se ergamao meu redor comodesmoronadoscortinadosengolindo-me inteiroenquantovou maisfundo Mais fundonaquele buraco Tão fundo quenão posso sairnovamentee tenho queviver oresto…
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Wislawa Szymborska – Retornos

Voltou. Não disse nada.Mas estava claro que teve algum desgosto.Deitou-se vestido.Cobriu a cabeça com o cobertor.Encolheu as pernas.Tem uns quarenta anos, mas não agora.Existe – mas só como na barriga da mãena escuridão protetora, debaixo de sete peles.Amanhã fará uma palestra sobre a homeostasena cosmonáutica metagaláctica.Por ora dorme, todo enrodilhado. Trad.: Regina Przybycien REPUBLICAÇÃO: poema…
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Paulo Henriques Britto – de “Nenhuma Arte”

Os deuses do acaso dão, a quem nadalhes pediu, o que um dia levam embora;e se não foi pedida a coisa dadanão cabe se queixar da perda agora.Mas não ter tido nunca nada, nãoseria bem melhor — ou menos mau?Mesmo sabendo que uma solidãocompleta era o capítulo final,a anestesia valeria o preço?(Rememorar o que não…
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Paulo Henriques Britto – De “Biographia Literária”

(…) ii Não volta mais, aquele voo cego rumo ao que nunca esteve lá, porémsó surge em pleno ar. E não renegoa rota tonta que segui. Ninguémse faz em linhas retas. Todo portoa que se chega é a meta desejada.E o caminho tomado, por mais torto,acaba sempre sendo a exata estradaa dar naquilo que, afinal,…
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Paulo Henriques Britto – De “Biographia Literária”

VII Nada disso foi do jeito que eu quis.Se fosse como eu quis, não haveriade ser tão sofrido, tão infeliz.Mas eu – o eu que sou – eu não seria. Assim, não me lamento. Até me sintocomo quem tem não o que foi pedido,e sim o que, guiado pelo instinto,não pelo querer, teria querido. O…
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Jane Kenyon – O pretendente

Repousamos de costas um para o outro. As cortinassobem e descem,como o peito de alguém dormindo.Os ventos movem as folhas do bordo;elas expõem seus lados iluminados,girando todas de uma vezcomo um cardume de peixes.Subitamente, compreendo que estou feliz.Por meses esse sentimentotem-se aproximado, parandopara curtas visitas, como um tímido pretendente. Trad.: Nelson Santander The Suitor We…
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R. S. Thomas – O campo brilhante

Eu vi o sol avançar atéiluminar um pequeno campopor um momento, segui meu caminhoe o esqueci. Mas aquela era umapérola de grande valor, o único campo comum tesouro dentro dele. Agora perceboque devo dar tudo o que tenhopara possuí-lo. A vida não está em lançar-se para um futuro que se afasta, nem ansiar por um…
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Paulo Henriques Britto – De “Seis Sonetos Soturnos”

I A qualquer hora, o que se chama vidapode mudar da água pro vinho. Ou vice–versa. Cada palavra proferida —uma sentença grave, uma tolice —pode retornar feito um bumeranguecapaz de destruir o que encontrar.E nada que se funde em carne e sangueescapa dessas bólides de ar:o amor e demais estados de graça,reputações, ações, fazendas, gado,longos…
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Robinson Jeffers – Regresso

Um pouco abstratos e um pouco sábios demais,É tempo de beijarmos a terra novamente,É tempo de deixar que as folhas chovam dos céus,Deixar que a rica vida corra para as raízes novamente.Eu irei para os Sur Rivers feiticeiros,E neles mergulharei meus braços até o peito.Encontrarei minha contabilidade onde treme a folha dos amieirosCom o vento…
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Eiléan Ní Chuilleanáin – A torre da dama

Vazia, minha alta torre inclina-se Para trás no penhasco; meu colmo Conversa com a amplidão dispersa, Garças. A parede cinza Corta para baixo e encontra Um instável córrego inundado Por seixos, pequenas aves Mergulhadoras. Lá embaixo, meus porões sondam. Atrás de mim, as oblíquas veias da colina Se deslocam; úmida está minha cozinha, Aranhas escondidas…