Tag: Ausência
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Laurie Lee – A sombra abandonada

Percorrendo a sombra abandonadadas habitações da minha infância,meus ouvidos relembram o badalar,ouvindo suas vozes soterradas. Ouço o verão primordial,as margens da aurora iluminadas por aves,o pulsar de sangue da escrevedeira-amareladourando meus olhos de berço. Ouço a lua-de-estanho subire a moeda do crepúsculo cair,o rastejar da geada e o gemidodo degelo e o pio dos piscos…
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Juan Vicente Piqueras – A sala vazia

a Carlos Edmundo de Ory Era um de teus jogos favoritos.O que há em uma sala vazia?, perguntavas. Guardávamos silêncio. O que há em uma sala vazia? Os que não conheciam o jogoàs vezes diziam: nada, e tu dizias: não. Nada é nada, e eu disse o quê. Até que alguém dizia, por exemplo: silêncio.E…
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Fernando Assis Pacheco – Tentas, de longe

Tentas, de longe, dizer que estás aqui. Com peso triste caminha na rua o Outono. O meu coração debruça-se à janela a ver pessoas e carros, e as folhas caindo. Mastigo esta solidão como quando era pequeno e jantava diante dos pais zangados: devagar, ausente.
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Alfonso Brezmes – Notas marginais

Leia “Notas marginais”, de Alfonso Brezmes, um poema delicado sobre memória, releitura e as transformações silenciosas provocadas pelo tempo.
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Joan Margarit – A aventura

Quando me ausento por um momento, ao finalizaruma inspeção de obra em algum bairro estranhoe entro para tomar café em um pequeno baronde não me conhecem, penso que soualguém que parte para não mais voltar.Quando me refugio no vaziode um entreato e procuro a escadaque leva aos banheiros,sinto que ali poderia começar minha ausência.Instantes que…
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José Paulo Paes – Elogio da Memória

O funil da ampulhetaapressa, retardando-a,a quedada areia. Nisso imita o jogomanhosode certos momentosque se vão emboraquando mais queríamosque ficassem. Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para manter a poesia viva em nosso blog
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Nelson Ascher – Saudade

Posto que nem é de bom-tom falar sobre a tristeza insossa cujo vaivém, quando se apossa de mim, me embala como o som sem fim das ondas do Leblon, dispondo-me a curtir a fossa a sós, pus na vitrola a bossa nova de João, Vinícius, Tom, menos pra ouvir o que ela tem, porque talvez…
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Daniel Faria – Ítaca

O que dói É não poder apagar a tua ausência e repetir dia após dia os mesmos gestos O que dói é o teu nome que ficou como mendigo Descoberto em cada esquina dos meus versos O que dói é tudo e mais aquilo que desteço Ao tecer para ti novos regressos
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Manuel António Pina – Todas as palavras

As que procurei em vão, principalmente as que estiveram muito perto, como uma respiração, e não reconheci, ou desistiram e partiram para sempre, deixando no poema uma espécie de mágoa como uma marca de água impresente; as que (lembras-te?) não fui capaz de dizer-te nem foram capazes de dizer-me; as que calei por serem muito…
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Maria do Rosário Pedreira – À avó

Ficou vazio o teu lugar à mesa. Alguém veio dizer-nosque não regressarias, que ninguém regressa de tão longe.E, desde então, as nossas feridas têm a espessurado teu silêncio, as visitas são desejadas apenasa outras mesas. Sob a tua cadeira, o tapetecontinua engelhado, como à tua ida.Provavelmente ficará assim para sempre. No outro Natal, quando a…