Tag: Ausência
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Mary Oliver – Primavera

Em algum lugar,uma ursa-negraacaba de despertare lança seu olhar para baixo na montanha.A noite toda,na inquietude vivaz e superficialdo início da primavera, eu penso nela,suas quatro patas pretasesparramando o cascalho,sua língua como uma chama rubratocando a relva,a água fria.Só há uma questão: como amar este mundo?Eu penso nelaerguendo-secomo um rochedo negro e musgoso para afiar…
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Pattiann Rogers – Perspectiva de alcance

Lá em cima, longe desta estrada,Longe das partículas de geadaQue revestem a casca de cada gravanço,E do rijo inseto arqueiro em seu avançoNa escuridão da manhã, pata farpada por pata farpada,Subindo pela haste do trillium,Diretamente ao longo do céu sobre esta estrada agora,As galáxias do aglomerado de Cygnus AEstão colidindo umas com as outras em…
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Eugénio de Andrade – Despedida

Junho chegara ao fim, a magoada luz dos jacarandás, que me pousava nos ombros, era agora o que tinha para repartir contigo, e um coração desmantelado que só aos gatos servirá de abrigo
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Louis Jenkins – O casal

Eles já não dormem tão bem comoquando eram jovens. Ele fica desperto pensandoem coisas que aconteceram anos atrás, virandodesconfortavelmente de vez em quando, puxando ocobertor. Ela se preocupa com dinheiro. Primeiro ume depois o outro ficam ambos acordados durante a noite,em turnos como se estivessem de guarda, embora não consigamver muito no escuro e esteja…
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Ausência

Num deserto sem águaNuma noite sem luaNum país sem nomeOu numa terra nua Por maior que seja o desesperoNenhuma ausência é mais funda do que a tua. Conheça outros livros de Sophia de Mello Breyner Andresen clicando aqui
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William Blake – A mosca

Pequena Mosca, Teus jogos de estio Minha irrefletida Mão os destruiu. Pois como tu, Mosca não sou eu? E não és tu Homem como eu? Eu canto e danço e Bebo, até que vem Mão cega arrancar-me As asas também. Se é o pensamento Vida, sopro forte, E a ausência do Pensamento morte, Então eu…
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James Kirkup – Ursa Maior

Suspensa entre os álamos domesticados no fimda avenida familiar, a UrsaMaior, em sua rede iluminada, balança,como um portão abandonado que nem barra nem convida para entrar,e pendura no poste arqueado sua silhueta de sete pontas. Desenhada com a precisão de um problema desconhecidosolucionado na sala de aula mais alta do céu vazio,ela revela sobre o…
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John Donne – Em despedida: proibindo o pranto

Republicação: “Em despedida: proibindo o pranto”, poema de John Donne, em tradução de Augusto de Campos
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Adriano Nunes – Cantar é preciso

para Antonio Cicero Cantar é preciso, Ainda que seja O vazio, o nada, A tristeza, a perda, O que quer que até Alcance a cabeça. Cantar e cantar, Mesmo que depois O existir se perca Na eterna estranheza Da cantiga, para Que o agora exerça A sua potência De luz, porque já Pouquíssimo importa Senão…
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Eamon Grennan – Uma manhã

Procurando pedras raras, dei com a lontra mortaapodrecendo na linha da maré, e carreguei pelo resto do dia o odor desta brutaldespedida. Aquele som lancinante e agudo do ostraceiroecoava pela enseada rochosaonde um cormorão se alimentava e submergia na baíae de onde uma garça-real alçou voo de um rochedo onde estivera invisível,pairou um tempo, e…