Tag: Ausência
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Dorianne Laux – Da gentileza de estranhos

Não importa a dor, seu peso,somos obrigados a carregá-la.Erguemo-nos e ganhamos impulso, a força entorpecidaque nos empurra através das multidões.Mas então um garoto me indica o caminhocom tanto entusiasmo. Uma mulher segura a porta de vidro aberta,pacientemente esperando meu corpo vazio passar por ela.Ao longo do dia, isso continua, cada ato de bondadese estendendo em…
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Elizabeth Jennings – Ausência

Estive no local do nosso encontro final.Nada mudara, os jardins continuavam bem cuidados,As fontes borrifavam em constante borbotão;Nenhum sinal de que algo havia terminadoE nada que me instruísse na alheação. As aves que nos ramos vibravam, indiferentes,Cantando um êxtase que eu não podia partilhar,Brincavam matreiras com minha mente. Certamente,Nesses gozos dor nenhuma haveria a suportarOu…
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Sharon Olds – Destino

Finalmente desisti e me tornei meu pai,sua face oleosa e abatida brilhando paraqualquer pessoa que eu olhasse, seus olhos castanhos-lodoem meu rosto, cintilando como chão molhado em queas coisas que amamos caíram, e se perderam para sempre. Não mais tenteinão ter o mau hálito dele,sua postura encurvada de fracasso, seu tristesexo pendurado sobre a coxa,…
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Charles Simic – O ausente

Alguém está chegando tarde em casa.A lâmpada deixada para ele na janelaArde à medida que o dia amanhece,E arderá ainda por muitos meses. Nossa pequena rua é escura à noite.As gaiolas são cobertas cedo.Os peixinhos dourados mal se mexem em seus aquários.Até mesmo as luzes da varanda estão apagadas, Deixando apenas a janela acesaPara as…
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W. S. Merwin – Separação

Sua ausência me atravessouComo linha em uma agulha.Tudo o que faço é costurado com esta cor. Trad.: Nelson Santander Separation Your absence has gone through meLike thread through a needle.Everything I do is stitched with its color.
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Joan Margarit – Ulisses nas águas de Ítaca

Estás chegando à ilha e agora sabeso que é o acaso. Viver, o que significa.Teu arco será pó em uma prateleira.Pó será o tear e a peça que ele tece.Os pretendentes, que no pátioacamparam,são sombras dos sonhos de Penélope.Estás chegando à ilha enquanto o mararrebenta nas rochas da costa,como faz o tempo com a Odisseia.Ninguém…
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Joan Margarit – Espaço e Tempo

E de repente a casa é grande demais.Tua mãe e eu esvaziamos teus armáriose percorremos mesas e prateleiras,de retrato em retrato, teus sorrisos.À noite, os espelhos, sob a luz elétrica,revelam com mais nitidez a tua ausência.Os móveis estão agora mais sombrios.Pela escada desce a balaustrada acolhedoraque guarda ainda a lembrança de tua pequena mão,e os…
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Jane Hirshfield – O Homem Gentil

Vendi o relógio do meu avô,seu ouro rosado e padrões pontilhados,para ser derretido.Mecanismo irrecuperável.Tampa ausente.Corrente — deve ter havido uma —ausente.Seus números pintadoscom um único e habilidoso pincel.Dei corda à coroaantes de entregá-lo sobre o balcão.O homem gentil recebeuo que lhe trouxe como se fosse à Stasi*.Ele pesou o mel do tempo. * N. do…
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Jack Gilbert – Poemas e Elegias para Michiko Nogami: I – Noites e manhãs sem fim

Uma caminhada por paisagens gregas e americanas se converte em percurso pela memória de Michiko. Entre árvores, estradas e vento, a presença ausente acompanha o poeta e dá continuidade ao amor vivido.
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Ana Martins Marques – de “Três Postais”

Leia “São Paulo” (de ‘Três Postais’), de Ana Martins Marques, um poema delicado sobre memória amorosa, ausência e a forma como os lugares preservam aquilo que perdemos.