Tag: Amor
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André Tecedeiro – de “O Número de Strahler”

nem o poema dá a dimensão da contradição. o tom dizia odeio-te mas o que lhe saía da boca era amo-te. eu sabia que ficar era morte mas o que me dizia era que fugir era morte. a um hematoma eu teria chamado alívio.
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Helder Moura Pereira – “Chegamos ao fim do dia…”

Chegamos ao fim do dia e cada um pensa para seu lado que isto não é vida, deixámos na terra os habituais sinais com tanto de amor como de desespero e, de mãos vazias, de coração ainda com alguma coisa mas quase vazio, batemos com a força que nos resta, pela última vez, à porta…
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Josep M. Rodríguez – Talvez Amor

“Talvez Amor”, um poema de Josep M. Rodríguez que encontra, na banalidade chuvosa da cidade, a possibilidade secreta de encontros que podem transformar-se em amizade, amor ou resistência à dor.
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Ana Martins Marques – Caçada

E o que é o amorsenão a pressada presaem prender-se? A pressada presaemperder-se
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Rui Costa – Breve
Esta manhã comecei a esquecer-me de ti. Acordei mais cedo que nos outros dias e com o mesmo sono. A tua boca dizia-me “bom dia” mas não: não o teu corpo todo como nos outros dias. As sombras por aqui são lentas e hoje não comprei o jornal: o mundo que se ocupe da sua…
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Miguel Martins – Fine

Os sentimentos são paisagens áridas, imprecisas, tremeluzentes, desconfortáveis. Dito isto, poderia fechar a porta, correr as grades, trancar o cadeado, dar a loja por encerrada, sem previsões de reabertura. Fechados lá dentro, os sentimentos, bem, seria como se não existissem. Talvez morressem, se desidratassem, se pulverizassem, talvez deles restasse apenas uma mancha de gordura no…
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Rui Pires Cabral – Morada

Nós vivemos na cidade quase sempre perdidos nas nossas pequenas razões. Estas ruas ainda prometem mais do que podem cumprir? A breve epifania do amor ou simplesmente um cúmplice que nos diga, à mesa de um café, que não faz mal, que pouco importam as perdas e danos que sofremos. De qualquer modo o mundo…
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Eunice de Souza – Alvorada 2

Falamos através de continentes. É pouco provável que nos voltemos a encontrar. Não posso fumar, não posso viajar, nenhuma felicidade claro. Sentindo um vento frio nas costas renunciamos à filosofia. Acabaram os amantes errantes, maridos, passarões não propriamente sensatos. Ainda temos a idade com que nos conhecemos. Trad.: Francisco José Craveiro de Carvalho
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Eugénio Andrade – Passamos pelas coisas sem as ver

Passamos pelas coisas sem as ver, gastos, como animais envelhecidos: se alguém chama por nós não respondemos, se alguém nos pede amor não estremecemos, como frutos de sombra sem sabor, vamos caindo ao chão, apodrecidos.
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Joan Margarit – A moça do semáforo

Tens a mesma idade que eu tinha quando comecei a sonhar em encontrar-te. Então ignorava, assim como tu o ignoras, que o amor se transforma na arma carregada de solidão e de melancolia que agora está apontada para ti nos meus olhos. Tu és a moça que busquei durante tanto tempo quando ainda não existias.…