Tag: Amor
-
Joan Margarit – Arcadi Volodos: Sonata D894

É uma música modestacomo um jantar na cozinha,hospitaleira como ter tido filhos.Compadece-se do corpoque a maré arrastaà praia invernal de cada um.Que franqueza nas notas mais abruptasdizendo-me: é amortambém aquilo que parece hostil.Quando se extingue o eco do piano,o que escutei ainda me estremece.A música de Schuberté uma forma de caridade. Trad.: Nelson Santander Arkadi…
-
Carlos Drummond de Andrade – Os mortos

Na ambígua intimidade que nos concedem podemos andar nus diante de seus retratos. Não reprovam nem sorriem como se neles a nudez fosse maior. Conheça outros livros de Carlos Drummond de Andrade clicando aqui
-
Ana Martins Marques – Relâmpagos

O pensamento é um pornógrafo e quase só de palavras se faz o amor e no entanto não se embaraça o pensamento com os cabelos como os meus cabelos se embaraçavam nos seus e não se misturam as palavras com as palavras como na boca a saliva se mistura com a saliva nem as…
-
Wendell Berry – Tudo de que precisamos está aqui

Gansos surgem bem acima de nós,passam, e o céu se fecha. O abandono,como no amor ou no sono, os mantémno seu caminho, clarona antiga fé: tudo de que precisamosestá aqui. E oramos, nãopor uma terra ou um céu novos, mas para termoscalma no coração, e no olhar,clareza. Tudo de que precisamos está aqui. Trad.: Nelson…
-
Claudia Rankine – Intempérie

Em um pedaço do papel no arquivo está escritoesqueci minha sombrinha. Acontece queem uma pandemia todos, não só o filósofo,estamos sem uma. Nós batalhamos na seca de informaçõesretidas por investidores privilegiados. Gota a gota. Protegendoo rosto? Sim. Distanciamento social? Sete palmossob a terra por condições subjacentes. Pretos.Apenas nós e os azuis ajoelhados em um pescoçocom…
-
Lisel Mueller – Românticos

Românticos Johannes Brahms e Clara Schumann Os biógrafos modernos se preocupamem “o quão longe” foi sua terna amizade.Eles se perguntam o que exatamente significaquando ele escreve que pensa nela constantemente,seu anjo da guarda, amada amiga.Os biógrafos modernos fazem a rude e irrelevante indagaçãode nossa era como se o eventode dois corpos entrelaçados estabelecesse a medida…
-
Jorge Valdés Díaz-Vélez – Formas migratórias

Formas Migratórias para Katia Alemann Aprendemos a amar a conta-gotasessas pequenas pausas de que se vesteo temporal para inundar a solidãodo lado de fora, o ramo entre violeta e ocre das tardes, o murmúriosemântico do céu. Nesta ordem,desfizemos os contornos da distância,a longitude sem proporção, as linhasque relacionam as coisas. Breveslacunas de ar, esses segundos…
-
Leonard Nathan – Brinde

Houve uma mulher em Ithacaque chorou baixinho a noite todano quarto ao lado e desamparadome apaixonei por ela sob o mantode neve que se depositou em todos os telhadosda cidade, preenchendocada escura depressão. Na manhã seguinteno café do motelestudei todas as mulheres de rostosmaquiados. Teria sido a loira de meia idadeque brincou com a garçoneteou a…
-
Jorge Valdés Díaz-Vélez – A outra rosa

Ela beijou na rosa(seu nome era um aguilhãofeminino e brutal)a imagem de outra rosa gravada em uma lousade mármore, cristalina.A luz era mais finae, ao tato, tão airosa quanto a flor que ardiasem pausa em sua memória.Em outro meio-dia, a rosa era ilusóriapromessa repartida;e o beijo, a outra vida. Trad.: Nelson Santander La otra rosa…
-
Warsan Shire – para mulheres que são ‘difíceis’ de amar

“para mulheres que são ‘difíceis’ de amar”, um poema de Warsan Shire que aborda a intensidade feminina e a recusa em se diminuir para caber nas expectativas masculinas, celebrando a autonomia, a força e a beleza de mulheres que não aceitam transformar-se para serem amadas.