Tag: Amor
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Jack Gilbert – Fracasso e voo

O fracasso não encerra a experiência: dele pode nascer uma forma inesperada de grandeza. Jack Gilbert aproxima amor, casamento e mortalidade para observar como a vida se eleva justamente quando aceita risco e imperfeição.
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Pedro Salinas – Não quero que te vás

Não quero que te vás,dor, última formade amar. Sinto-me vivoquando me dóis,não em ti, nem aqui,mais longe: na terra, no anode onde tu vens,no amor com elae tudo o que foi.Nessa realidadesubmersa que se negaa si mesma e insisteem nunca ter existido,que foi apenas um pretextoque encontrei para viver.Se tu não me restasses,ó dor irrefutável,até…
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Carlos Drummond de Andrade – Romaria

Romaria A Milton Campos Os romeiros sobem a ladeira cheia de espinhos, cheia de pedras,sobem a ladeira que leva a Deuse vão deixando culpas no caminho. Os sinos tocam, chamam os romeiros: Vinde lavar os vossos pecados.Já estamos puros, sino, obrigados,mas trazemos flores, prendas e rezas. No alto do morro chega a procissão.Um leproso de…
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Joan Margarit – Cumprimentar-se

Aprendeste o gesto com os anos.Encontras o vizinho, vos cumprimentais,lado a lado, dois velhos na calçadacada um fechando a própria porta.As casas. E a convenção generosade algumas palavras na rua.Para além, já nada mais restaque esta paixão final, a calmasolitária e feroz das recordaçõessob um pedaço de azul nítido como um cálculo.Em seu quintal, cada…
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Ferreira Gullar – Digo Sim

Poderia dizerque a vida é bela, e muito,e que a revolução caminha com pés de flornos campos de meu país,com pés de borrachanas grandes cidades brasileirase que meu coraçãoé um sol de esperança entre pulmõese nuvens Poderia dizer que meu povoé uma festa só na vozde Clara Nunesno rodardas cabrochas no Carnavalda Avenida.Mas não. O…
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Elizabeth Bishop – A Arte de Perder

A arte de perder não é nenhum mistério;Tantas coisas contêm em si o acidenteDe perdê-las, que perder não é nada sério. Perca um pouquinho a cada dia. Aceite, austero,A chave perdida, a hora gasta bestamente.A arte de perder não é nenhum mistério. Depois perca mais rápido, com mais critério:Lugares, nomes, a escala subseqüenteDa viagem não…
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Donizete Galvão – Solitude

Juntos, em solitude. Cada qual com sua chaga. Cada qual com sua cruz. Dois corpos ardentes tão próximos, separados pela geografia que a mágoa desenha. Entre os braços, interpõem-se desertos, salinas e dunas. O amor morreu? Não. Condenou-se. Soterrou-se em veios de duro e negro minério. Duas árvores cujas raízes trançaram-se rumo ao fundo. Que…
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Ana Martins Marques – Interiores

AÇUCAREIRO De amargobastao amor Agridoce,ela disse Mas a mimpareceuamargo CADEIRA I Repetesdiariamenteos gestosdo primeiro homemque se sentounuma tarde quenteolhando as savanas II Pousode gigantescos pássaroscansados FRUTEIRA Quem se lembrou de pôr sobre a mesaessas doces evidênciasda morte? CRISTALEIRA Guardae revelaa nudezbrancada louçao incêndiodespareadodos cristais TALHERES Colher Se o sol nelabatesseem cheiopor exemplonuma mesa postano jardimimediatamente…
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W. H. Auden – Aquele que Ama Mais

Contemplando as estrelas, logo eu discirnoQue, por elas, eu posso ir para o inferno,Porém, na terra, a indiferença é o que menosTemos a temer, de animais e humanos Como seria se os astros de paixãoPor nós ardessem e disséssemos não?Se os afetos nunca podem ser iguaisPois que seja eu aquele que ama mais. Por mais…
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Jean Sprackland – Perdendo o escuro

Novembro, quando o dia deveria terminar mais cedocomo um livro maçante. Mas naquela tardeuma pequena nuvem em forma de ponto de interrogaçãopassou sobre o sol e se dissolveu.Seis horas; oito; dez. E a luz do diaainda inundava a rua espantada. Uma dádiva. Como uma daquelas noites de verãoem que nos sentamos, copo na mão,sob a…