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Marge Piercy – Canção de amor matinal

“Canção de amor matinal”, um poema de Marge Piercy que celebra a plenitude do amor e do desejo em imagens sensoriais ligadas ao verão e à natureza, retratando um eu lírico transbordante de afeto, vitalidade e entrega amorosa.
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Ian Hamilton – Despertar

“Despertar”, um poema de Ian Hamilton que expõe a intimidade dolorosa do amor diante da perda de memória, onde o mundo se fecha e resta apenas a presença fiel.
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Dan Gerber – Dia da marmota

para Emmylou Ouço um ganido abafado no corredor.Nossa velha cadela, Eudora, fez um movimento erradoe deslocou os discos desgastados de sua coluna. De resto, ela está feliz, eu acho.Ela ofega e bate sua incansável caldaem minha perna quando fazemos uma pausa em nossa caminhada levepelas colinas e aindacede ao seu faro acima de qualquer outro…
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José María Cumbreño – Identidade

Durante anos, a roupa que vesti herdei do meu irmão mais velho.Meu nome me foi dado em homenagem ao meu avô.O primeiro carro que dirigi era de segunda mão.A primeira mulher que me beijou já havia beijado outros.A casa em que moro é alugada.Tudo o que eu vier a escrever alguém já terá escrito muito…
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Dorianne Laux – Eu te desafio

É outono, e estamos nos livrandodos livros, nos preparando para aposentar emudar para um lugar menor, maisgerenciável. Vivendo ao contrário,na nova casa à prova de idade, nadano chão para tropeçar, nenhum obstáculopara os vagarosos mecanismos de nossos corpos,uma mesinha para dois. Nosso mundo estáencolhendo, nossos armários, quase vazios,se foram as saias justas e os sapatos…
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Billy Collins – As cadeiras em que ninguém se senta

Vêem-se em varandas e em relvadosmesmo à beira do lago,geralmente dispostas em pares indicando que um casal se poderá sentar ali e olhar paraa água ou para as grandes árvores frondosas.O problema é que nunca se vê ninguém sentado nessas cadeiras abandonadasembora a dada altura deva ter parecidoum bom lugar para parar e não fazer…
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Terence Winch – Esse barco já zarpou

Em nossa antiga vida, comíamos sorvete e pudimde pão. Bebíamos copo após copo de Grand Marnier até ficarmos enjoados.Nossa libido era grande como um outdoor.Nossa libido era maior que a telade um cinema drive-in no meio do nada,exibindo intermináveis clássicos pornográficosadolescentes. Tínhamos apetite pelo apetite.Derramávamos banha derretida por toda a nossapipoca, que depois cobríamoscom uma…
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Ursula K. Le Guin – Prece de uma Noite de Janeiro

Sinos badalam, excêntricos ventosassobiam gelados vindos das terras desérticassobre as montanhas. Janus, Senhordo inverno e dos começos, fendidoe abalado, com duas faces,sentinela dos portões dos ventos e das cidades,deus dos insones:livra-me da gélida invejae da ira mesquinha. Abreminha alma para os vastoslugares escuros. Diz-me, e diz de novo:nada nos é tomado, só ofertado. Trad.: Nelson…
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Wendell Berry – Eles se sentam juntos na varanda

Eles se sentam juntos na varanda, a escuridãoAproximando-se, a casa atrás deles na penumbra.Terminada a refeição, lavaram e secaramA louça – apenas dois pratos agora, dois copos,Duas facas, dois garfos, duas colheres – tarefa pequena para dois.Ela se senta com as mãos cruzadas no colo,Em repouso. Ele fuma seu cachimbo. Não trocam palavras,E quando finalmente…
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Linda Pastan – Os meses

Janeiro Retorcidas pelo vento,meras estruturas para gelo ou neve,as árvores decidemresistir por enquanto, elas brotarão em abril.E eu devo ser pacientecomo as árvores —uma resolução de inverno que quebro novamente,enquanto o frio pressionasua lâmina afiadacontra minha garganta. Fevereiro Após uma interminávelhibernaçãono peitoril da janela,a orquídea floresce — pontos púrpuras bordados,acima e abaixo,numa fina haste.Lá fora,…