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Julia Hartwig – Assim será

Tudo retornaráE não será em forma de cinzas ou ruínastudo será como antes da extinção à vista e em florAmizades não desfeitaspoços não envenenadoscombates ainda repletos de esperança de êxito Incontáveis estrelasUma lua desconhecidaNós ainda ignorantesdo que pode ser realizadoe daquilo que para semprenos será arrebatado Trad.: Nelson Santander, a partir da versão em espanhol…
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Manuel Vilas – O último Elvis

Respeita sempre a decadência das mulherese dos homens que amaram ou pelo menos tentaram amara vida e esta os chamuscou ou lhes quebrou os ossos da face,as entranhas e as veias e o fígado e o nobre coração.Respeita todos os sagrados e humildes naufrágiosdos seres humanos. Respeita aqueles que se suicidaram. Respeita aqueles que se…
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Dean Young – Ode às cinzas

Quando a vi mais adiante, corri dois quarteirõesgritando seu nome; depois, percebendo que não eravocê, mas uma sósia assustada, continueicorrendo, gritando agora aos céus, perpetuandosua fama e seu brilho. Desde quefui incinerado, muitas vezes voltei a este pensamento – o de que todas as coisas amadas são perseguidas e nunca capturadas,mesmo enquanto dormia ao meu…
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Walter Savage Landor – Epitáfio

Não lutei com ninguém; nada valia a lida.Amei a natureza, e, tanto quanto, a arte;As mãos, estas aqueci no fogo da vidaQue naufraga; estou pronto para o desate. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 09/02/2019 Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para manter a poesia viva…
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Warsan Shire – Feia

Feia Sua filha é feia.Ela conhece a perda de perto,leva cidades inteiras em seu ventre. Quando criança, parentes não a seguravam.Ela era madeira estilhaçada e água do mar.Diziam que ela lhes lembrava a guerra. No seu décimo quinto aniversário, você a ensinoua trançar o cabelo como cordae perfumá-lo com incenso. Você a fez gargarejar com…
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Giuseppe Ungaretti – In Memoriam

Locvizza, 30 de setembro de 1916 Chamava-seMoammed Sceab Descendentede emires de nômadessuicidaporque não tinha maisPátria Amou a Françae mudou de nome Foi Marcelmas não era francêse já não sabiaviverna tenda dos seusonde se escuta a cantilenado Alcorãosaboreando um café E não sabiadesataro cantodo seu abandono Acompanhei-ojunto com a dona da pensãoonde vivíamosem Parisdo número 5…
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Sharon Olds – Depois

Depois que o urso de 250 quilos passa por mim,da esquerda para a direita, a apenas um metro e meio de distância,percebo que agora começo a respirar pesadamenteno meio dos meus doze degraus — então eu medeito na cama e ofego por um tempo.E o tremor se intensifica, de modo que, quando estou cozinhando,literalmente misturo…
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Raymond Carver – Vocês não sabem o que é o amor (uma noite com Charles Bukowski)

“Vocês não sabem o que é o amor”, um poema de Raymond Carver que encena a voz desmedida de Bukowski para revelar o amor como vício, bravata e confissão crua de quem vive à beira do abismo.
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Kim Moore – Para minha filha

E mais tarde, quando ela perguntar,direi que algumas partes foram belas –como, em seu brilhoe súbita abertura,os rostos dos vizinhospassaram a parecer flores.Contarei como começamosa revisitar fotosde nossos eus mais jovens,abraçados a um estranhoou apoiados nos ombrosde amigos, e vimos que o toquesempre foi uma espécie de santidade,uma forma de adoração que nos foi prometida.Direi…
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Andreia C. Faria – [Tenho a pedir-vos que não reutilizeis mais nada]
![Andreia C. Faria – [Tenho a pedir-vos que não reutilizeis mais nada]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2018/07/ants-in-closeup-crawling-on-concrete-sidewalk_vwlvq6sie__f0000.png)
“Tenho a pedir-vos que não reutilizeis mais nada”, um poema de Andreia C. Faria