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Ellen Bass – Retorno para mamografia e ultrassom

Então é para isso que estou aqui, para olhar para dentrodo peso mudo da minha mama direita, um punhado densode tesouros que eu desejava quando menina quando choreiatrás da cortina na loja de espartilhos das irmãs Guerlaine.Aquelas afáveis solteironas mal podiam suportarminhas lágrimas, enquanto ajustavam as alçasde um sutiã de rendas com enchimento. Tive que…
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Ellen Bass – Experimento de empatia

O cientista coloca cada ratoem sua própria caixa de vidroe por trinta segundos toca“What a Wonderful World.”Nos últimos três segundos, ele dá um choque no rato.Seguem-se noventa batidas de silêncio.E então o ciclo recomeça. Enquanto ele me descreve o experimentonão consigo deixar de pensar em como isso soa familiar – nm minuto,Louis Armstrong cantando,e no…
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Ellen Bass – Porque

Porque na noite em que dei à luz meu marido ficou cego.Histeria, acho que você chamaria assim. Porque havia gente demaise depois não havia ninguém. Apenas esta pequena criatura — seu pequeno choronão maior do que uma lantejoula. Porque eu fazia força havia horas demais.Mesmo com as placas macias do crânio dela se deslocando o…
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Ellen Bass – Pinheiros de Ponary

Pinheiros de Ponary Cem mil pessoas foram assassinadas pelos nazistas em Ponary, dez quilômetros a sudoeste de Vilnius, onde minha avó nasceu. Hoje está cinzento, garoa,mas não o suficiente para que as gotas se acumulemnas pontas das agulhas de prataou para encharcar as cascas dos pinheiros de Ponary –alguns deles com mais de um século.Eles…
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Ellen Bass – A longa recuperação

Quando você voltava para casa vindados campos de morango, eu despejavaa sujeira das barras de sua calça jeans,e removia a terra lamacenta dos joelhos.Isso me fazia querer lamber o suor do seu pescoço, provar o saldas fendas empoeiradas. Não, não,eu digo agora ao meu estúpido sexoque, como um cão, não consegue entender.Eu sei que sou…
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Ellen Bass – Índigo

Enquanto caminho pela West Cliff Drive, um homem correna minha direção empurrando um daqueles carrinhos de corridacom amortecedores para que o bebê continue dormindo,e ele de fato está. Consigo apenas ter um vislumbrede suas pálpebras quase translúcidas. O pai é jovem,uma jungle de índigo e cornalina tatuadosdos dedos ao maxilar, densas videiras e flores,santos e…
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Ellen Bass – Vamos

Vamos tirar nossas roupas e nos divertir.Podemos rolar como cães sem coleira na Lighthouse Beach1. Vamos exploraros corpos uma da outracomo uma liquidação de quatro de julho, revolvendo a orgiade tweed e sarja, seda e lantejoulas rodopiando em turbilhões.Buda diz para não discutir a não ser que seja necessário.Vamos abrir as ostras,banha-las com Martini seco,a…
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Ellen Bass – Quando você voltar

As folhas caídas retornarão às árvores.Os cacos do vaso estilhaçado subirãoe se remendarão sobre a mesa.As capas de chuva se dobrarão novamente em seus invólucros achatados. O ovo,a gema nua e seu halo transparentedeslizarão de volta para a fina casca de cálcio.Imprecações serão despejadas de volta nas bocas,cartas se desfarão sozinhas, palavras serãosugadas para dentro…
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Ellen Bass – Ode ao deus dos ateus

O deus dos ateus não irá queimá-lo na fogueiraou arrancar suas unhas. Tampouco o fará clamar ou se curvar, abrir a própria pele com espinhos,ou adquirir folhas de ouro e vitrais.Não insistirá que você jejue ou distorçaa forma de sua fome sexual.Não há guerras travadas nem mulheres apedrejadas em nome dele.Você não precisa encobrir o…
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Ellen Bass – Manhã

depois de Gwendolyn Brooks Na manhã de sua morte ela acordou agressiva, alguma força dormente revivera,insistente. Pela última vezcoloquei minha mãe sentada, desloquei a massa soltado seu corpo apoiando-o contra mim. Suas pernasressequidas penduradas junto às minhas, triunfosde vontade, todas as manhãs ela seobrigava a borrifar-se com perfume barato,içar os seios oscilantes para dentrodo sutiã,…