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Alfonsina Storni – Leva-me

Quero esquecer que vivo: leva-me a algum lugar;Ata-me a tua alma; a alva a brilhar. Colhe-me entre tuas mãos como em um branco casuloE mostra-me aos deuses com glória e com orgulho. Leva-me! É uma noite muito escura e sombria!…A morte caça pelo mundo tal qual harpia. Faz-me esquecer o peso que carrego nos ombrosEssa…
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Stanley Kunitz – Cometa de Halley

A srta. Murphy, da primeira série,escreveu o nome dele no quadro negrocom giz e nos contou que eleviajava rugindo pelas trajetórias de tempestadesda Via Láctea a uma velocidade aterrorizante,e que se ele desviasse do seu curso e colidisse com a terranão haveria aula no dia seguinte.Um pregador das colinas, de barba ruivae com uma expressão…
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Angela Figuera Aymerich – Princípio e Fim (na morte de minha mãe)

Já tenho minhas raízes debaixo da terra.Já um pouco morta contigo, mãe,há algo da minha vida que se decompõecontigo, com teus ossos delicados,com tuas veias azuis, com teu ventreque côncavo sofreu, dando-me forma.Na ignorância, mãe, não no pecadomostraste-me como a vida brota.Como a carne floresce e se divideno centro sagrado da mulher.Pequena e frágil foste.…
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Izumi Shikibu – [Venha logo]
![Izumi Shikibu – [Venha logo]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2023/04/cerejeira.jpg)
Venha logo — assimque se abrirem essas pétalas,elas cairão.Este mundo existe comoa luz do orvalho nas flores. Trad.: Nelson Santander (a partir da versão do poema em inglês vertida por Jane Hirshfield e Mariko Aratani) N. do T.: Izumi Shikibu foi uma poetisa japonesa que viveu no final do período Heian, entre os séculos X…
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Spencer Reece – Portofino

Prometa-me que não esquecerá de Portofino.Prometa-me que encontrará a ilusão de óticanas paredes do Splendido.As paredes que criam uma cena inacessível. Talvez assim compreenda esse anseiopor permanência que mencionei tantas vezes.Do outro lado do porto? Uma capela amarela. Um penhasco.Prometa-me que testemunhará o dia se dissipar. E quando os telhados escurecerem, quando as estrelas vagarematé…
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José María Zonta – Não entres como turista no coração de uma mulher

“Não entres como turista no coração de uma mulher”, um poema de José María Zonta que transforma o amor em território sagrado, exigindo entrega autêntica e cuidado diante da vulnerabilidade do outro.
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Jesús Jiménez Domínguez – A Ponte no Nevoeiro

Detenho-mea meio do caminhoe ouço. Num extremoaquele que fui grita-me:Espera-me! No outro,aquele que serei sussurra-me:Segue-me. E a ponte, eterna,não aguenta o peso dos três. Trad.: Maria Sousa REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 04/10/2018 El Puente en la Niebla Me detengoa mitad del recorridoy escucho. En un extremoaquel que fui me grita:¡Espérame! En el…
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Ann Fischer-Wirth – Milagre de um coração sagrado e três folhas de faia, cada uma machada de verde e carmesim

“Milagre de um coração sagrado e três folhas de faia”, um poema de Ann Fischer-Wirth que resgata, na matéria frágil do envelhecer, a persistência luminosa da identidade e da ternura.
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Chico Amaral e Samuel Rosa – As Noites
As ruas desse lugarConhecem bemAs noites longas, as noites pálidasQuando eu te procurava As casas desse lugarSe lembrarãoDo nosso abraço, da sombra insólitaEspelho azul no chão As ruas desse lugarAgora eu seiSempre escutaram a nossa músicaQuando eu te respirava As pedras municipaisSe impregnaramDa dupla imagem, da dupla solidão,A sombra ali no chão E, lá no…
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Fady Joudah – Mimesis

Minha filha não faria mal a uma aranhaQue se aninhouEntre as manoplas de sua bicicletaPor duas semanasEla esperouAté que a aranha fosse embora por conta própria Se você desfizera teia eu disseEla simplesmente vai saberQue este não é um lugar que possa chamar de larE você poderia sair para pedalar Ela disse é assim que…