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Platão – da “Antologia Grega”

Epigrama atribuído a Platão, da “Antologia Grega”, que transforma o espelho em símbolo cruel da passagem do tempo e da perda da antiga beleza.
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Adam Zagajewski – Amizades impossíveis

Por exemplo, com alguém que já não existe,e que deixou apenas cartas amareladas. Ou longas caminhadas à beira de um riacho,onde, no fundo, jazem ocultas xícaras de porcelana — e conversas sobre filosofiacom um tímido estudante ou um carteiro. Um transeunte de olhar altivoa quem você nunca conhecerá. Amizade com este mundo cada vez mais…
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Zenodotus – da “Antologia Grega”

Epigrama de Zenodotus, da “Antologia Grega”, que ironiza a tentativa de conter o fogo do desejo com a água da razão ou da prudência.
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Linda Hogan – Noite ártica, luzes cruzando o céu

Estamos entrelaçados,corpo a corpo, célula a célula,um braço sobre o outro.O mundo é um leito para a noite fria,um gato aninhado na dobra de um joelho,um cachorro aos nossos pés,minha mão na sua, estamos abraçadosna presença animal, calidez,o mar lá fora ressoandoondas de inverno, uma chegando após a outrado mistério distante,onde, no fundo do mar,habitam…
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Jaime Sabines – Sobre a Morte do Major Sabines

Primeira Parte I Deixa-me repousar,relaxar os músculos do coraçãoe colocar a alma para dormirpara poder falar,para poder recordar estes dias,os mais longos dos tempos. Mal convalescemos da afliçãoe estamos fracos, assustados,despertando duas ou três vezes do nosso escasso sonhopara ver-te na noite e saber que respiras.Precisamos despertar para estar mais despertosdeste pesadelo repleto de gente…
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Diane Seuss – [Todas as coisas agora me lembram]
![Diane Seuss – [Todas as coisas agora me lembram]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2023/04/house.jpg)
Todas as coisas agora me lembram de como o amor costumava ser. Taboas dilatadas em lugaressolitários. Condicionador viscoso em meus cabelos. Sólidos livros. Suas variegadas lombadas.Turbilhão de palavras como um coquetel agitado, umbigo em torvelinho, pulsante asterisco.O passado é isto: ter sido jovem e desejosa e não ser mais.No futuro, as taboas explodirão sem mim.…
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Nuno Júdice – Outra Imagem

Conheço o mundo dos mortos. É frio, com terraPor cima, restos de tábuas, ossos desfeitos pelos invernos.Os mortos vêem-nos; de onde eles estão, eles chamam pelos nomesFamiliares, num murmúrio, e o vento dispensa-lhes os sopros– música de ciprestes. Por isso há quem ande entre as campasao fim da tarde, com os ouvidos tapados; quem reze,entre…
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Ada Limón – Notas sobre o Subterrâneo

“Notas sobre o Subterrâneo”, um poema de Ada Limon que transforma uma caverna em interlocutora filosófica para investigar desejo, mortalidade e pertencimento.
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Joan Margarit – A moça do semáforo

Tens a mesma idade que eu tinhaquando comecei a sonhar em encontrar-te.Ignorava então, assim como tu ignoras,que o amor se transforma na arma carregadade solidão e melancoliaque aponta agora para ti em meus olhos.Tu és a moça que busqueidurante tanto tempo, quando ainda não existias.E eu o homem a quem, um dia,desejarás que oriente teus…
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Matthew Rohrer – Não há absolutamente nada mais solitário

Não há absolutamente nada mais solitáriodo que o pequeno Mars Rover,sempre em funcionamento, escavandorochas, tão longe da Bond streetsob a chuva suave. Será queele emite pequenos bipes? Se sim,ele é ainda mais solitário. Ele dispara laserna poeira. Ele engasga. Algo brilhante na areia revela-se ser dele. Trad.: Nelson Santander There Is Absolutely Nothing Lonelier There…