Categoria: Poesia em Língua Inglesa
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W. H. Auden – Blues Fúnebre (em duas traduções de Nelson Ascher)

BLUES FÚNEBRE – 1ª Tradução Que parem os relógios, cale o telefone,jogue-se ao cão um osso e que não ladre mais,que emudeça o piano e que o tambor sancionea vinda do caixão com seu cortejo atrás. Que os aviões, gemendo acima em alvoroço,escrevam contra o céu o anúncio: ele morreu.Que as pombas guardem luto —…
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Brigit Pegeen Kelly – A partida

Meu pai disse que eu não conseguiria fazê-lo,mas por toda noite eu colhi os pêssegos.O pomar estava silencioso, os canais funcionavam incessantemente.Eu era uma menina na época, meu peito era seu próprio jardim murado.Quantas são as escadas para a colheita em um pomar?Eu tinha apenas uma e uma grande paciência com as mãos acesase o…
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Ellen Bass – Pelo tempo que quiser

No caminho para o cemitério, eu dormi.Não na limusine que levava o caixão da minha mãe,mas apagada em uma van, a família toda falando ao meu redor.Eu estava exausta do sofrimento dela, de seus apelos —me ajuda e chega, chega —e tentando fazer com que a morfina permanecesse na vala de suas gengivas.Como pude não ter estudado…
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Lewis Carroll – Jaguadarte

Era briluz. As lesmolisas touvasRoldavam e relviam nos gramilvos.Estavam mimsicais as pintalouvas,E os momirratos davam grilvos. “Foge do Jaguadarte, o que não morre!Garra que agarra, bocarra que urra!Foge da ave Felfel, meu filho, e correDo frumioso Babassurra!” Ele arrancou sua espada vorpalE foi atrás do inimigo do Homundo.Na árvora Tamtam ele afinalParou, um dia, sonilundo.…
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Ellen Bass – Pinheiros de Ponary

Pinheiros de Ponary Cem mil pessoas foram assassinadas pelos nazistas em Ponary, dez quilômetros a sudoeste de Vilnius, onde minha avó nasceu. Hoje está cinzento, garoa,mas não o suficiente para que as gotas se acumulemnas pontas das agulhas de prataou para encharcar as cascas dos pinheiros de Ponary –alguns deles com mais de um século.Eles…
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Ada Limón – Instruções para não desistir

Mais do que os funis fúcsia irrompendoda macieira, mais do que a exibição quaseobscena dos galhos da cerejeira do vizinho enfiandosuas flores cor de algodão-doce no céu ardósiadas chuvas de primavera, é o verdejar das árvoresque realmente me comove. Quando todo o choque de brancoe caramelo — os berloques e bugigangas do mundo — deixaa…
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Jo Shapcott – Observadora de estrelas

Se eu não estou olhando para você, me perdoe; se pareçoestar esqudrinhando o céu,cabeça jogada para trás, curiosa,extática, reservada, andandoaleatoriamente no chãoà sua frente, meu público,me perdoe, e esqueça o que estáacontecendo em minhas células.É em você que estou pensandoe, voz lançada para o alto,é com você que estou falando, você. Estou tentando manter tudo…
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Robinson Jeffers – Cremação

Isto quase anula meu medo de morrer, meu amor falou, Quando eu penso em cremação. Apodrecer na terra É um fim abominável, mas arder em chamas — além disso, estou habituada, Eu ardi com amor ou fúria tanto em minha vida, Não à toa meu corpo está cansado, não à toa está morrendo. Nós fomos felizes com…
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Cynthia Huntington – O arrebatamento

Lembro-me de estar de pé na cozinha, mexendo ossos para a sopa,e de que, naquele momento, me tornei outra pessoa. Era um começo de noite no início de primavera, o ar ameno da Califórnia.Lá fora, o eucalipto se curvava compulsivamente sobre o trailer do vizinho, estacionado na entrada da garagem.A rua, por sua vez, estava…
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Henry Wadsworth Longfellow – Casas assombradas

Todas as casas onde homens viveram e morreram São casas mal-assombradas. Pelo aberto portãoAs inofensivas almas, em suas tarefas, pairam, Com pés que quase nenhum ruído produzem no chão. Nós as encontramos na escadaria, no corredor, Pelas passagens através das quais elas vêm e vão,impalpável impressão no ar ao nosso derredor, Sensação de algo em…