Categoria: Poesia em Língua Inglesa
-
Kerry Hardie – Navio da morte

para minha mãeObservando-a, pela primeira vez,virar-se para preparar o seu barco, minha mãe;quando ficou claro que você tinha outros assuntos agora —os assuntos do seu futuro —fui inundada pela raiva.Foi uma primeira sondagem,um olhar lançado sobre velas, remos, mastros,como aquele olhar experiente que muitas vezes viperscrutando a mesa farta.Como pode você planejar partir assimquando finalmente…
-
Dan Gerber – No final de setembro

Certa estrela, da qual eu gostava,desapareceu. É possível queeu a tenha perdido. Esquecios nomes das nuvens e árvores e rostos, como canções das quaisremanesce apenas uma duradoura melodia.*Pequeno riacho,sob os salgueiros junto à minha cabana alugada —mais minha do que qualquer outra que eu possa possuir —,diga-me novamente o nome secretoque você murmura enquanto estou…
-
J.C. Todd – Velhos Amigos, Aqui e Adeus

Ei, pervertida, ele diz, olhando-me, no funeralde nossa amiga, causa da morte: um câncer nasentranhas do cérebro no interior da estrutura ósseaque dava ao seu rosto tanta beleza. Durante a químio,seu encanto se igualou aos reveses – seu couro cabeludoà mostra e os músculos de sua mão esquerda muito fracospara segurar um pincel. Ele a…
-
Matthew Olzmann – Comercial de Mountain Dew disfarçado de poema de amor

“Comercial de Mountain Dew disfarçado de poema de amor”, um poema de Matthew Olzmann que enumera, com humor e ternura, os gestos cotidianos e as excentricidades que sustentam um casamento, culminando no gesto simbólico de guardar uma garrafa de Mountain Dew como prova concreta e inesperada de amor.
-
Werner Aspenström – Depois de ouvir Mozart o dia todo

As árvores se despem e se vestemrepetidamente,como em um casamento.Os gansos selvagens vão para o sul, e depois para o norte.Você conhece a natureza, conhece as artes.Como Mozart o socorre?O rebanho cinzento de pequenos estudantes se afastoupor sob as tíliase o rebanho cinzento de pequenos estudantes retornou.Música é tempo cultivado.O tempo não fecha as cicatrizes…
-
Joaquin Zihuatanejo – Exame final para o meu pai

1. Verdadeiro ou falso. Na noite em que abandonou a mim e minha mãe você hesitou antes de segurar a maçaneta. 2. Se um ônibus deixa a cidade a 100 km por hora para lugar nenhum em particular, e um homem naquele ônibus deixou seu único filho para trás na escuridão dessa cidade, quantos quilômetros…
-
Emily Dickinson – Morri pela Beleza

Morri pela Beleza – e assim que no JazigoMeu Corpo foi fechado,Um outro Morto foi depositadoNum Túmulo contíguo – “Por que morreu?” murmurou sua voz.“Pela Beleza” – retruquei –“Pois eu – pela Verdade – É o Mesmo. NósSomos Irmãos. É uma só lei” – E assim Parentes pela Noite, sábios –Conversamos a Sós –Até que…
-
Linda Pastan – O adeus de Dido

O adeus de Dido Incessante é a chuvaem minhas vidraças, e as velas se afogamem sua própria cera.Abandonados pela luz,até os filamentos de estrelasescurecem. Esta tardeescorei com estacassuas rosas encharcadas,elas agora lembram jovens meninasapoiadas em muletas. Você deixouum mapa parcialde sua mão direitaem cada maçaneta,e eu sigo de salaem sala, nômadeem minha própria casa,o coração…
-
Li-Young Lee – Das flores

Das flores vemeste saco de papel pardo com os pêssegosque compramos do meninona curva da estrada onde dobramos em direção às placas escritas Pêssegos. Dos galhos carregados, das mãos,da doce comunhão nas latas,vem o néctar da beira da estrada, suculentospêssegos que devoramos, com a pele empoeirada e tudo,vem o pó familiar do verão, pó que…
-
Raymond Carver – O que o médico disse

Ele disse não parece bomele disse parece mau aliás muito mauele disse eu contei trinta e dois deles em um pulmão antesde parar de contareu disse fico feliz não ia querer saberque tem mais do que isso láele disse por acaso você é religioso você se ajoelhaem bosques na floresta e se permite pedir ajudaquando…