Categoria: Poesia em Língua Inglesa
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Charles Bukowski – Para Jane Cooney Baker, morta em 22/01/1962

e então você se foi me deixando aquinum quarto com uma cortina rasgadae o Idílio de Siegfried tocando no radinho vermelho. e então você se foi tão rápidoquanto quando você veio pra mim,e nós tínhamos dito adeus antes,e quando eu estava limpando seu rosto e lábiosvocê abriu os maiores olhos que eu já tinha vistoe…
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Frances Leviston – Todo animal faz um som, exceto nós

Agostoe os cordeirosforam levados de suas mães.O dia todo elas emitem seus humanos lamentosatravés da cerca da fazenda até a lagoa da orelha de um fazendeiroe ao longo da lama pela nunca esquecidanecessidade de expressar o que foi perdido –a fala visceral, incontornável,a fala naufragada,a perda. Trad.: Nelson Santander Every Animal has a Noise Except…
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Adam Zagajewski – Um breve poema

Eu ouvia cânticos gregorianosnum carro em alta velocidadeem uma rodovia na França.As árvores passavam velozes. As vozes dos mongesentoavam preces a um deus invisível(ao amanhecer de uma capela tremendo de frio).Domine, exaudi orationem meum,vozes graves rogavam calmamentecomo se a salvação estivesse crescendo no jardim.Para onde eu ia? Onde o sol se escondia?Minha vida estava em…
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Czesław Miłosz – Uma vida afortunada

Sua velhice coincidiu com os anos de colheita abundante.Não houve terremotos, secas ou inundações.Dir-se-ia que a mudança das estações ganhava em regularidade,As estrelas se fortaleciam e o sol aumentava seu poder.Mesmo em províncias remotas nenhuma guerra foi travada.Gerações cresceram amistosas para com seus semelhantes.A natureza racional do homem não era motivo de escárnio. Foi amargo…
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Linda Pastan – Por que seus poemas são tão sombrios?

Por que seus poemas são tão sombrios? Não é a lua também sombria,na maior parte do tempo? E a página em branconão parece inacabada sem a mancha escuradas letras? Quando Deus demandou a luz,Ele não baniu a escuridão. Em vez disso, Ele criouo ébano e os corvos e aquela pequena pintano lado esquerdo do seu…
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Nisha Atalie – Fazer/Não fazer

Eu cheiro o Lírio Tigre em flor,duas línguas saltandode uma boca. Eu enveneno o rio involuntariamente.Marcho nos caminho demarcados. Eu corto a montanha, seu corpo e sua boca escancarados.Recolho a água da chuva em um carrinho de mão. Eu forro o ventre da baleia com presentes atéque eles dilacerem seu estômago.Eu rego os morangos. Novamente…
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Vievee Francis – Estive pensando de novo no amor

Estive pensando de novo no amor Há os que vivem para recebê-loe os que vivem para dá-lo. Claro que existem aqueles para quem ambas as coisas são verdade,mas nunca na mesma medida. Aqueles que o têm para dar são como cardeais na neve. Tão fáceise lindamente iluminados. Algunssão como coelhos. Difíceis de verexceto para aqueles…
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Raymond Carver – Chuva

Despertei esta manhã com a urgênciaterrível de permanecer na cama o dia inteiroe ler. Lutei contra isso por um minuto. Depois olhei a chuva pela janela.e me rendi. Coloquei-me inteiramentenas mãos dessa manhã chuvosa. Viveria minha vida novamente?Cometeria os mesmos erros imperdoáveis?Sim, se tivesse a mínima chance. Sim. Trad.: José Antônio Cavalcanti Rain Woke up…
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George Bilgere – Tudo bem

Eu me sento aqui na calçada da cafeteria,emitindo a amarela fumaça doentia da senescênciaenquanto as pessoas passam fingindonão notar, olhando para longeou para os seus telefones,fazendo o melhor por comoção ou cortesiapara me ignorar sentado aqui envelhecendo,e eu não os culpo, é mesmo difícil de assistir. E agora a garçonete em sua beleza abrasadora,em sua…
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Elizabeth Jennings – Uma só carne

Cada qual em sua cama, deitados separados agora,Ele com um livro, uma luz acesa até hora incerta,Ela, como uma menina, sonhando com sua aurora,Todos os homens em outros lugares – é como se certaNova ocorrência esperassem: o livro que ele detémMas não lê, os olhos dela pregados nas sombras além. Lançados acima como destroços de…