Categoria: Poema
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Pedro Mexia – Paráfrase

Este poema começa por te comparar com as constelações, com os seus nomes mágicos e desenhos precisos, e depois um jogo de palavras indica que sem ti a astronomia é uma ciência infeliz. Em seguida, duas metáforas introduzem o tema da luz e dos contrastes petrarquistas que existem na mulher amada, no refúgio triste da…
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David Mourão-Ferreira – Praia do Paraíso

Era a primeira Vez que nus os nossos corpos Apesar da penumbra à vontade se olhavam Surpresos de saber que tinham tantos olhos Que podiam ser luz de tantos candelabros Era a primeira vez cerrados os estores Só o rumor do mar permanecera em casa E sabias a sal, e cheiravas a limos Que tivesses…
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Antonia Pozzi – Canto da Minha Nudez

Olha para mim: estou nua. Da inquieta languidez da minha cabeleira até à tensão fina do meu pé, sou toda de uma magreza amarga envolta numa cor de marfim. Olha: como é pálida a minha carne. Dir-se-ia que o sangue não a percorre. O vermelho não transparece. Apenas uma lânguida pulsação azul se esbate no…
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Amalia Bautista – Contra ‘Remedia Amoris’

Não sou desse género de mulheresincapazes de amor e de ternura.Odeio o sacrifício e repugna-mea vaidade que nasce da violência,mas sei o que é valor e o que é sangue.Quero ser a mulher de um mercenário,de um poeta ou mártir, vai dar ao mesmo.Porque sei olhar nos olhos dos homens.Conheço quem merece a minha ternura.…
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Eugénio de Andrade – As Mãos

Que tristeza tão inútil essas mãos que nem sequer são flores que se dêem: abertas são apenas abandono, fechadas são pálpebras imensas carregadas de sono.
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João Cabral de Melo Neto – de “Os Três Mal Amados”

Trecho de “Os Três Mal Amados”, de João Cabral de Melo Neto, em que o amor surge como força devoradora que corrói identidade, memória e futuro, deixando o sujeito reduzido à própria perda.
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Rui Pires Cabral – «He loved beauty that looked kind of destroyed»

Gostava dessa espécie de beleza que podemos surpreender a cada passo, desvelada pelo acaso numa esquina de arrabalde; a beleza de uma casa devoluta que foi toda a infância de alguém, com visitas ao domingo e tardes no quintal depois da escola; a beleza crepuscular de alguns rostos num retrato de família a preto e…
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Nuno Júdice – Como Aves, Cuja Passagem

Como sombras passaram entre nós, como sombras. Uma vez perante alguns amigos e desconhecidos, afirmei conhecê-los e citei os seus nomes. Mas o que não correspondia a um acto heroico, nada significava hoje, mesmo entre amigos e desconhecidos. Só se eu próprio me tornar uma sombra, e também eu passar a uma outra vida. Durante…
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Hilda Hilst : Dez chamamentos ao amigo

I Se te pareço noturna e imperfeita Olha-me de novo. Porque esta noite Olhei-me a mim, como se tu me olhasses. E era como se a água Desejasse Escapar de sua casa que é o rio E deslizando apenas, nem tocar a margem. Te olhei. E há um tempo Entendo que sou terra. Há tanto…
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Tamara Kamenszain – O Eco de Minha Mãe

Não posso narrar. Que pretérito me serviria se minha mãe já não se afasta mais de mim? Exúbere então me detenho ante um estado de coisas demasiado presente: ser a descuidada que dela cuida enquanto outros a negligenciam por mim. São as pessoas que me restaram e a gramática se torna um escândalo quando ela…