Categoria: Poema
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josé luís peixoto – arte poética

o poema não tem mais que o som do seu sentido, a letra p não é a primeira letra da palavra poema, o poema é esculpido de sentidos e essa é a sua forma, poema não se lê poema, lê-se pão ou flor, lê-se erva fresca e os teus lábios, lê-se sorriso estendido em mil…
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Ian Hamilton – Poema de Aniversário

Firme em suas mãos Sua caneca de barbear com a Exposição do Império. Você a conserva agora Como escarradeira, as pombas presunçosas, O 1938 dela Manchados por gotas de seu sangue. Esta noite, Meio sufocado, canceroso, Desiludido, Você bate os dentes contra sua boca dourada de porcelana E espera por um ataque. Trad.: Nelson Santander…
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Ivan Junqueira – A tua data

Alguém só morre em sua data, que é única, ôntica, enfática. Nunca depende de quem vai nem de quem fica ao pé da lápide. É quando o corpo, enfim, se acaba, e, se dele a alma se aparta, não cabe a ninguém afirmá-lo, nem se a tinha, em vida, o finado. É quando as lâmpadas…
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Paulo Henriques Britto – Nenhum Mistério

I Não chega a ser desespero, mas não por haver esperança. Falta a ênfase, o tempero, o sal da intemperança, sem o qual não é iguaria à altura de grandes gestos. É mais da categoria das migalhas, dos restos. Pois dessa matéria escassa há que se tirar sustância. (Até mesmo na desgraça é pra poucos…
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Nuno Júdice – O Eterno Retorno

Agora, ao ouvir uma peça de música Barroca, como se isso servisse para alterar A cor do céu ou a cor dos sentimentos, Apercebo-me de que a música é, só, O que ficou de ti. O resto – amor, Corpo, palavras, desejo, um riso – ficou Não sei onde, nem exatamente sei quando: sei só…
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Amalia Bautista – Nu de Mulher

Para ti nunca passei de um blocode mármore. Esculpiste nele o meu corpo,um corpo de mulher branco e formoso,em que não viste nada a não ser pedrae o orgulho, isso sim, do teu trabalho.Nunca imaginaste que eu te amavae que tremia quando, docemente,me modelavas os seios e os ombros,ou alisavas as coxas e o ventre.Hoje,…
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América, Aztecas – O rio passa, passa

O rio passa, passa e nunca cessa. O vento passa, passa e nunca cessa. A vida passa: nunca regressa. Versão: Herberto Helder
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Ian Hamilton – Memorial

Quatro lápides desgastadas inclinam-se contra a parede do seu hospício Vitoriano. Além dos limites, você se ajoelha na grama alta Decifrando nomes obliterados: Velhos lunáticos que aqui morreram. Trad.: Nelson Santander Ian Hamilton – Memorial Four weathered gravestones tilt against the wall Of your Victorian asylum. Out of bounds, you kneel in the long grass…
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Joan Margarit – Tchaicovsky

Não te suicides nunca. Olha a escuridão: nunca poderás saber quem te estende a mão. Lembras-te do inverno de luz nos cristais e a cumplicidade daquela música? Ouço a Patética e me vejo desejando que a morte de Joana nos devolvesse a ordem e a felicidade que acreditamos perder quando ela nasceu. Amor meu, Joana,…
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Manuel António Pina – Uma noite com Vladimir

Eu sou mais mortal do que o meu corpo, e as minhas palavras mais mortais do que eu. E o teu silêncio, nenhum leitor, que as minhas palavras avidamente ouvem, mais mortal do que as minhas palavras. Ouvir-me-emos não é a morte o que as palavras procuram? sob tanta terra?