Categoria: Poema
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Francisco Brines – Aquele verão da minha juventude

E o que restou daquele velho verãonas costas da Grécia?O que resta em mim do único verão da minha vida?Se pudesse escolher, de tudo o que vivi,algum lugar, e o tempo que o ata,sua milagrosa companhia me arrasta até lá,onde ser feliz era a razão natural de estar vivo. Perdura a experiência, como um quarto…
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Paulo Henriques Britto – de “Duas autotraduções”

(CADERNO, XIV)II Isto, também, será lembrado um dia,porém não tal qual é sentido agora.Não que as lembranças sejam distorcidasde propósito; é só porque a memória,entre o vivido e o lembrado, interpõecomo que um filtro, com pequenas falhasou até mesmo substituições –nem tanto por mentiras deslavadas,mas por versões plausíveis do ocorrido.São mudanças sutis, que se desculpam,como…
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Joan Margarit – Amor e tempo

Lembras quando ainda desconheciasque a vida não teria piedade de ti?Amor e tempo: o tempo nos habitacomo a areia do rio que, lentamente,vai moldando a forma da margem.O amor, que refletiu em teu olharo esplendor da ilha do tesouro.Sensual, solitária, cercadapela sonora senectude do mare os gritos militares das gaivotas.O sonho clandestino dos cinquenta anos.…
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Manuel António Pina – As vozes

A infância vem pé ante pé sobe as escadas e bate à porta – Quem é? – É a mãe morta – São coisas passadas – Não é ninguém Tantas vozes fora de nós! E se somos nós quem está lá fora e bate à porta? E se nos fomos embora? E se ficamos sós?
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William Soares dos Santos – A força do desejo

A força do desejo se desfaz tão logo se saciam as tensões ferozes do corpo e dos hemisférios e no destino dos braços do tempo os amantes se perdem em mistérios
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Manuel Vilas – O último Elvis

Respeita sempre a decadência das mulherese dos homens que amaram ou pelo menos tentaram amara vida e esta os chamuscou ou lhes quebrou os ossos da face,as entranhas e as veias e o fígado e o nobre coração.Respeita todos os sagrados e humildes naufrágiosdos seres humanos. Respeita aqueles que se suicidaram. Respeita aqueles que se…
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Walter Savage Landor – Epitáfio

Não lutei com ninguém; nada valia a lida.Amei a natureza, e, tanto quanto, a arte;As mãos, estas aqueci no fogo da vidaQue naufraga; estou pronto para o desate. Trad.: Nelson Santander Walter Savage Landor – Dying Speech of an Old Philosopher I strove with none, for none was worth my strife:Nature I loved, and, next…
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Giuseppe Ungaretti – In Memoriam

Locvizza, 30 de setembro de 1916 Chamava-seMoammed Sceab Descendentede emires de nômadessuicidaporque não tinha maisPátria Amou a Françae mudou de nome Foi Marcelmas não era francêse já não sabiaviverna tenda dos seusonde se escuta a cantilenado Alcorãosaboreando um café E não sabiadesataro cantodo seu abandono Acompanhei-ojunto com a dona da pensãoonde vivíamosem Parisdo número 5…
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Raymond Carver – Vocês não sabem o que é o amor (uma noite com Charles Bukowski)

Vocês não sabem o que é o amor disse BukowskiEu tenho 51 anos e olhem pra mimestou apaixonado por essa garotaestou louco por ela mas ela também estáentão tudo bem cara é assim que deve serEu entro no sangue delas e elas não conseguem se livrarElas tentam de tudo pra se afastar de mimmas no…
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Wilfred Owen – Futilidade

Coloquem-no à luz do sol… Em casa Seu toque gentil o acordava com a lembrança De campos ainda por plantar… O sol o acordou sempre, até na França, Até chegarem a manhã de hoje e a neve que aí está. Se alguma coisa pode acorda-lo agora, Só o velho sol saberá. Lembrem que também acorda…