Categoria: Poema
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Miguel Torga – Agenda

Folheio a vidaNum calendário velho.Dias riscados, como contas pagas.Domingos de repouso,Segundas de trabalhoSábados de cansaço,Sem nenhum sentido.No abismo do nada,O nada, apenas.Quem sofreu nestas páginas vazias,Tão frias,Tão serenas? REPUBLICAÇÃO: poema originalmente publicado na página em 04/04/2016
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Jacob Sam-La Rose – Do lado de lá

“Do Lado de Lá”, um poema de Jacob Sam-La Rose em que a ausência fala por silêncios, os mortos atendem em sonhos e a linha que nos separa deles é apenas o eco interminável do que nunca foi dito.
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Czesław Miłosz – O jardim das delícias terrenas

“O Jardim das Delícias Terrenas”, um poema de Czesław Miłosz que sussurra o espanto de existir entre o paraíso e o abismo, onde a carne sonha ser espírito, o tempo apodrece em âmbar e o desejo, eterno e mortal, tenta decifrar o enigma de Deus.
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Richard Scott – versão de amor

“versão de amor”, um poema de Richard Scott que sussurra, entre vigílias e vertigens, que amar é guardar um corpo adormecido contra o sopro insuspeito do fim — e perguntar, no silêncio entre dois sonhos, se ainda há alma no que resta.
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Carlos Drummond de Andrade – A um Ausente

Tenho razão de sentir saudade,tenho razão de te acusar.Houve um pacto implícito que rompestee sem te despedires foste embora.Detonaste o pacto.Detonaste a vida geral, a comum aquiescênciade viver e explorar os rumos de obscuridadesem prazo sem consulta sem provocaçãoaté o limite das folhas caídas na hora de cair. Antecipaste a hora.Teu ponteiro enlouqueceu, enlouquecendo nossas…
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Miguel Arteche – Eu sei que nesta lâmpada apareces

“Eu sei que nesta lâmpada apareces”, um poema de Miguel Arteche que evoca a persistência do ausente nas frestas da matéria — um murmúrio entre a cinza e a tinta, onde o tempo se curva e o morto continua a escrever-se na solidão das coisas.
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Jorge de Lima – A Divisão de Cristo

Dividamos o mundo em duas partes iguais:uma para portugueses, outra para espanhóis.Vêm quinhentos mil escravos no bojo das naus:a metade morreu na viagem do oceano. Dividamos o mundo entre as pátrias.Vêm quinhentos mil escravos no bojo das guerras:a metade morreu nos campos de batalha. Dividamos o mundo entra as máquinas.Vêm quinhentos mil escravos no bojo…
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Garrett Hongo – Homenagem a uma noiva de retrato

“Homenagem a uma noiva de retrato”, um poema de Garrett Hongo sobre as vidas que se esvaem entre o que se promete e o que se perde — onde o vento é viúvo da memória, e uma fotografia é tudo o que resta do que jamais chegou a ser inteiro.
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Franz Wright – Sobre a morte de um gato

“Sobre a morte de um gato”, um poema de Franz Wright que escuta o silêncio onde antes havia um corpo, e descobre a forma mais serena da eternidade.”
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Donizete Galvão – Peso

Peso Lixe a pedra.Lime a pedra.Rale a pedra.Role a pedra.Cada noitelá estará ela:pedra.Dura,áspera,intacta,pesandono peito.