Categoria: Poema
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Denise Levertov – Peregrinações no mundo paralelo

Vivemos nossas vidas de paixões humanas, crueldades, sonhos, ideias, crimes e o exercício da virtude em e ao lado de um mundo privado de nossas preocupações, isento de nossas apreensões — embora afetado, certamente, por nossas ações. Um mundo paralelo ao nosso, embora a ele sobreposto. Nós o chamamos de “Natureza”; apenas relutantemente admitindo que…
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Maggie Smith – O primeiro outono

Eu sou sua guia aqui. Nas ruas crepusculares da manhã, eu aponto e nomeio. Veja os sicômoros, suas cascas manchadas, pintadas-por-números. Veja as folhas enferrujando e crepitando nas pontas. Eu caminho pelo Schiller Park com você no meu peito. As estrelas ardem plenamente à luz do dia. Veja o lago, os patos, os cães chapinhando…
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Joan Margarit – Manhã no cemitério de Montjuïc

Fui à colina dos túmulos:lá cheguei cruzando o ermoda Can Tunis, coberto de seringase de plásticos pardacentos, onde tremem, errantes,as estátuas de trapo dos drogados.Corre o boato de que a Prefeiturairá destruí-lo, cobrindo de concretoos terrenos com mato em frente à enorme grade do cemitério, erguida de frente para o mar.Que má companhia será para…
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Louis MacNeice – A luz do sol sobre o jardim

A luz do sol sobre o jardimEndurece e esmorece,Não podemos enjaular o minutoEm suas malhas de ouro;Quando tudo for dito,Não podemos pedir perdão. Nossa liberdade de soldados a soldoAvança rumo ao seu fim;A terra compele, sobre elaDescem sonetos e pássaros; E em breve, meu amigo,Não teremos tempo para danças. O céu era bom para voar,Desafiando…
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Mary Oliver – Os usos da tristeza

(enquanto dormia, sonhei este poema) Alguém que amei uma vez me deuuma caixa cheia de escuridão. Levei anos para entenderque isto, também, foi uma dádiva. Trad.: Nelson Santander The uses of sorrow (In my sleep I dreamed this poem) Someone I loved once gave mea box full of darkness. It took me years to understandthat…
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Lêdo Ivo – Achamento e duração dos mortos

És o cemitério. Os mortos não jazem debaixo da terra. Não estão ocultos num lençol de relva mas sob tua pele. Tuas veias são ruas onde os mortos passeiam fagueiros, e em férias percorrem, turistas do eterno, os museus do éter. E nas terras velhas de tua memória almas veraneiam. Meu filho, viver é comerciar…
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Jane Hirshfield – Jasmim

Quase o século vinte e um —quão rapidamente o pensamento ficará datado,até mesmo pitoresco? Nossas esperanças, nosso futuro,passarão como as esperanças e futuros dos outros. E todas as nossas ansiedades e terrores,noites de insônia,pesares,se apresentarão então como realmente são — Abelhas delirantes e trôpegas pelo aroma do chá de jasmim. In “The lives of the…
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Seán Hewitt – Fantasma

i. Despertando, quase de manhã, mas aindade um escuro metálico, fechado, no quarto: um som dentro do meu sonho, apenas um lamentono início, que depois se torna humano, um uivoque se eleva na rua do lado de fora, fica sem respostae então se eleva novamente. De cueca, tremendojunto à janela de uma só vidraça, mas…
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Edward Field – Máscara mortuária

Máscara mortuária “A velhice é a mais inesperada de todas as coisas que acontecem a um homem.“ –Leon Trotsky. “Não me falem Da sabedoria dos velhos, mas antes de…