Categoria: Poema
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Joan Margarit – Nada engrandece um velho

Nem essa violência com a qual desejoter sempre razão.Nem tampouco crer que a felicidadetem uma relação, sutil, com a mentira.Nem chegar a tero coração tão sujo como o meu,apesar de ter sido a guerra que o sujou.Minha paz deve ser uma falsa paz.Tampouco não abjurar a luxúriae a vaidade.Como podemos ser vaidosos, os velhos? Essa…
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Javier Salvago – Variações sobre um velho tema

Os violinos de Verlaine. Os sonhados caminhos da tarde, de don Antonio.* Um velho cheiro de campo. Um velho cheiro de lápis e cadernos. O céu cinzento. O vento entre as árvores. A carícia das primeiras chuvas. A tristeza sem causa. A solidão sonora. A noite, cada vez mais escura e prolongada. Um cigarro que,…
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Wendell Berry – Questionário

1. Quanto veneno você está dispostoa consumir para o sucesso do livremercado e do comércio internacional? Por favor,indique seus venenos preferidos. 2. Em nome do bem, quantomal você está disposto a praticar?Preencha os campos abaixocom os nomes de suas maldades eatos de ódio favoritos. 3. Que sacrifícios você está dispostoa fazer pela cultura e pela…
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Audre Lorde – As abelhas

Na rua, em frente a uma escola,o que as crianças aprenderamas possui.Garotos gritam enquanto apedrejam um enxame de abelhasque tenta se reunirentre a janela do refeitório e uma grade de ferro.Os garotos arremessam pedras furiosasdespedaçando as janelas.As abelhas, zumbindo sua raiva,demoram a atacar.Então, um dos meninos é picadoem uma destruição mais rápidae os inspetores escolares…
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Ursula K. Le Guin – Hino ao tempo

O Tempo diz “Que haja”e instantaneamente, a todo instante,existe espaço e o esplendorde cada galáxia brilhante. E olhos contemplando o céu cintilante.E a dança dos mosquitos, tremulante.E a extensão do mar.E a morte, e o azar. O tempo deixa espaçopara ir e voltar para casae no ventre do tempotudo começa e acaba. Tempo é ser…
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Jane Hirshfield – Encantamento para se recitar contra o ódio

Até que cada respiração repudie eles, aqueles, outros.Até que a Dramatis Personae da primeira página do livro diga: “Cada um deles é você.”Até que a esperança se dobre à sua desesperança apenas quando um ser se dobrar para outro.Até que a crueldade se dobre às suas ações e subitamente perceba: eu.Até que a raiva e…
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Warsan Shire – Casa

ninguém sai de casa a menos que a casa seja a boca de um tubarãovocê só corre para a fronteiraquando vê a cidade inteira correndo também seus vizinhos correndo mais depressa que vocêo fôlego ensanguentado na gargantao menino com quem você estudavaque a beijou até deixá-la tonta atrás da velha fábrica de estanhosegura uma arma…
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Louise Glück – Viúvas

Minha mãe está jogando cartas com minha tia,Spite and Malice*, o passatempo da família, o jogoque minha vó ensinava a todas as suas filhas. É o auge do verão: quente demais para sair.Hoje minha tia está em vantagem; ela está recebendo as cartas boas.Minha mãe está se arrastando, com problemas em se concentrar.Ela não consegue…
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Nelson Santander – Singularidade
Logo no início do blog, publiquei alguns poemas de minha autoria, não tanto pelo valor intrínseco que cada um deles dificilmente possa ter, mas para deixa-los “arquivados” nesse grande arquivo virtual que é a internet. Dentre eles, o poema que segue é aquele que considero o menos ruim de todos os que cometi. Como minhas…
