Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Mary Oliver – Flores brancas

Ontem à noiteno campoeu me deitei no escuropara pensar na morte,mas em vez disso adormeci,como se estivesse em um quarto vasto e inclinadorepleto daquelas flores brancasque se abrem todo verão,viscosas e desordenadas,nos tépidos campos.Quando desperteia luz da manhã deslizavaperante as estrelas,e eu estava cobertade flores.Não seicomo aconteceu —não seise meu corpo mergulhoupara baixo das adocicadas…
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Andrea Cohen – Barganha

Pagamos-lhe quasenada — menos do que o poucoque ele pedira — para nos levar ao anoitecer das pirâmidesem camelos deserto adentro.Estipêndio tão escasso para nos levar, sem reclamar, para tão longe —até aqui, sem uma estrela. Estávamos no meio do nada, ou em sua borda.Amigos, perguntou ele, de dentro daquela escuridão,quanto vocês me pagarãopara leva-los…
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Dan Albergotti – Coisas para fazer no ventre da baleia

Meça as paredes. Conte as costelas. Registre os longos dias.Olhe para o céu azul por entre os esguichos. Faça pequenas fogueirascom os cascos partidos dos barcos de pesca. Pratique sinais de fumaça.Ligue para os velhos amigos e escute os ecos de vozes distantes.Organize sua agenda. Sonhe com a praia. Busque por toda jornadapelo pálido brilho…
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Judith Hemschemeyer — Naquele verão

Naquele verãodepois que você se enforcousem perguntar a ninguém que o amavase eles podiam suportar dei por mim arrastando mangueirasregando cada centímetro desse imenso gramadodia após diaperfeito obcecadaincapaz de deixar mais alguma coisauma única folha de gramamorrer. Trad.: Nelson Santander That Summer That summer after you hanged yourself without asking anyone who loved you if…
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Matthew Olzmann – Carta à pessoa que gravou suas iniciais no mais antigo pinheiro de folha longa da América do Norte

Southern Pines, Carolina do Norte Diga-me como é viver semcuriosidade, sem sentir admiração. Navegarem águas cristalinas, desviando os olhosdos recifes de algas que ondulamabaixo de você, ignorando o cintilardas escamas de sereias no nevoeiro,olhando para o mundo e sentindoapenas tédio. Estarà beira do precipício de algum vale selvagem,as águias circulando, um rebanho de caribustrovejando lá…
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Don Peterson – Compaixão

“Compaixão”, um poema de Don Peterson que transforma o adeus a um animal amado em gesto extremo de ternura, onde a morte se confunde com cuidado e fidelidade.
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Deborah Pope – Passando

Como um carro engatado,uma galinha estúpida demais para perceberque sua cabeça se foi,ou aquele som que não cessamesmo depois do filmeter caído da bobina,um telefonetocando e tocandona casa de onde todosse mudaram,através de salas onde o póse aprofunda em camadas,e o cadeado é desnecessário,assim eu continuo te amando,meu coração claudicando,um músculo entornandoo que não é…
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Petrarca – Soneto CXXXIII (“O Amor me Assinalou com sua Seta”)

“Soneto CXXXIII (“O Amor me Assinalou com sua Seta”)”, um poema de Francesco Petrarca que retrata o amor como força avassaladora e paradoxal, comparando seus efeitos ao fogo, ao sol e ao vento, e explorando a tensão entre êxtase, dor e aniquilação amorosa.
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Juan Vicente Piqueras – Como estás

Morri na última terça-feira e ninguém notou. O mundo permaneceu o mesmo, mudando e imutável.Não houve furacão, anúncio, tempestadeou nuvens por entre as quais surgisseaquele raio de luz que aparecianas capas dos catecismos. Minha filha continuou a servir-me o chá no mesmo horárioe eu continuo a sorve-lo em pequenos goles com o canudinho que ela…
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Wanda Coleman – Uma conversa com meu neto de seis anos de idade

há uma tempestade cósmica sempre que ele entra em minha órbitacinco raças em guerra fora do tempo, presasnum único corpo espigado e nervoso, joelhos e cotovelos ossudosos ensinamentos rigorosamente amorosos de mamãe e papai criamraízes apesar da engenharia de mídia e da pressão dos colegas.as tiradas cortantes, as respostas farpadas e o humor atrevidoque em…