Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Rosa Leveroni i Valls – De “Epigramas e Canções”

Eu levo dentro de mim para fazer-me companhia a solidão apenas. A solidão imensa do amor infinito que queria ser terra, ar e sol, mar e estrela, para que fosses mais meu, para que eu fosse mais tua. Trad.: Nelson Santander Rosa Leveroni i Valls – De “Epigrames i cançons” Jo porto dintre meu per…
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Mary Oliver – Como é conosco, e como é com eles

Nós nos tornamos religiosos,depois nos afastamos disso,depois precisamos de ajuda e talvez voltemos.Nos voltamos para ganhar dinheiro,depois nos voltamos para a vida moral,depois pensamos novamente em dinheiro.Conhecemos pessoas maravilhosas, mas as perdemosna nossa correria.Estamos, como se costuma dizer, atirando para todo lado.A constância, ao que parece,tem mais a ver com os cães do que conosco.Uma…
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Laia Noguera i Clofent – Sem título

Amo a vida simples, sentar-me à entrada para ver o ir e vir das pessoas, como se move um pardal, como se inclina a tarde nas casas do corpo. Já sei que morrerei muito antes de morrerem as árvores que amo. Mas nada me preocupa, porque no instante em que se me romper o último…
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Nicanor Parra – Composições

I Cuidado, todos mentimos Mas eu proclamo a verdade. A matemática enfada Mas nos dá o de comer. Por outro lado, se escreve Poema para viver Ninguém gosta de assumir Culpa por vidros quebrados. Se escreve contra si mesmo Em virtude dos demais Que indecente é fazer versos! Quando menos se esperar Darei um tiro…
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Anne Sexton – A Terra Desmorona

Se eu pudesse culpar o clima por tudo, a neve como a mesa de dissecação, as árvores que se tornam agulhas de tricô, o chão, tão rijo como uma arinca congelada, o lago vestindo seu bigode de geada. Se eu pudesse culpar tais circunstâncias, se eu pudesse culpar os corações de estranhos descendo as ruas…
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Aldo Oliva – O Elevador de Hera

Dizem os insetos sensatos e sensíveisque as paredes e os grandesmuros são apenas um hálito veementeconjurando o nada, o infinito.Por estes ladrilhos de não serascendem, como habitáculosde fúria, os corpos corrompidosdas palavras. Quem me impôs,rasgando minha inocência animalna pedra lavada da minha profundidade biológica,esta ascensão conjetural?Só o vazio que advémdo alto, que advém e obstina(furacão…
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Charles Bukowski – Os Gênios da Raça

não há nada a discutir não há nada a lembrar não há nada a esquecer é triste e não é triste parece que a coisa mais sensata que uma pessoa pode fazer é se sentar com uma bebida na mão enquanto as paredes acenam seus sorrisos de adeus alguns passam por tudo isso com uma…
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Eloy Sánchez Rosillo – Aviso aos Caminhantes

Na soma de dias indistintosque a vida dá ao homem, talvez exista umem que o destino, trágico e belo,passe ao nosso lado e o acaso manifesteuma insólita luz, um incomumfulgor inconfundível.Mas não hesites. Tem coragem,quando chegar o momento,de abandonares as coisas com que semprete enganou o hábito, e embarca logonesse carro de fogo. Pouco durao…
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Vicente Gaos – Testamento

Eu, Vicente Gaos, natural de lugar nenhum, mil anos de idade, de estado civil solitário, instável domiciliado/refugiado em um canto do cosmos, profissão náufrago na sombra, sem documento de identidade, sem títulos, condecorações nem diplomas de qualquer tipo, nenhum sinal particular visível no peito ou em qualquer outra parte do corpo, sem nenhuma cicatriz além…
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Ernesto Pérez Vallejo – Perdão, falava em voz alta

Queres mesmo que eu seja sincero? Se não esperas nada de ninguém Nunca poderão decepcioná-la. A esperança é aquele relógio que sempre marca a hora errada. Se não escolheres o caminho errado algumas vezes como diabos saberás qual deles era o certo? Nos momentos felizes, não sabemos ao certo se estamos tristes. Mas, quando tristes,…