Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Idea Vilariño – Ou foram nove

Talvez tivemos só sete noites não sei não as contei como poderia ter feito. Talvez não mais que seis ou foram nove. Não sei, mas valeram a pena como o amor mais duradouro. Talvez com quatro ou cinco noites dessas, mas precisamente como essas, talvez seja possível viver como de um longo amor uma vida…
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Eduardo Chirinos – O que meu pai realmente quer de mim

1Esta noite tive um sonho. Acompanhava meu paipor uma estrada de terra. Os dois íamos a cavaloe mal trocávamos uma palavra. Ao longe, avistava-sea sombra de alguns salgueiros, as luzes de um povoadodesconhecido e remoto. De repente, meu pai deteveseu cavalo e perguntou se eu sabia para onde íamos.Respondi que não. Então vamos bem, ele…
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Jaime Gil de Biedma – Happy ending

Embora, à noite, comigo já não durmas mais, o acaso dirá talvez se é definitivo. Que embora o prazer nunca mais volte a ser o mesmo, na vida o esquecimento não costuma durar. Trad.: Nelson Santander Jaime Gil Biedma – Happy ending Aunque la noche, conmigo, no la duermas ya, sólo el azar nos dirá…
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Javier Salvago – Um pouco mais sábios, um pouco mais cegos

Quando você não é mais jovem, se convence de que o diabo sabe mais porque é velho e admite que os anos nos ensinam a distinguir a realidade do sonho. Talvez não. Talvez a vida só se nos mostre uma vez – quando temos olhos para aprecia-la – e depois vamos esquecendo seu rosto e…
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Javier Salvago – Convém não esquecer

Por esta via que chamam vida, vamos com cautela devida, tal qual um cego. Mas em cinzas termina todo e qualquer fogo. Trad.: Nelson Santander Javier Salvago – Conviene no Olvidarlo Por esta senda, que llaman vida, todos vamos a tientas, igual que un ciego. En ceniza terminan todos los fuegos.
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Mario Benedetti – Tempo sem Tempo

Preciso de tempo, necessito desse tempo que os outros deixam de lado porque lhes sobra ou já não sabem o que fazer com ele tempo em branco em rubro em verde mesmo em castanho escuro não me importa a cor cândido tempo que eu não posso abrir e fechar como uma porta tempo para olhar…
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Roger Wolfe – A Última Noite da Terra

O melro de todos os anos voltou a visitar minha casa E, no entanto, permaneço aqui. Sua melodia não muda, já o escrevi antes. Mas o meu trabalho é constatar o óbvio e é isso que o melro faz-me recordar. O tempo passa, as pessoas envelhecem, morrem por sua própria mão ou com ajuda. As…
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Charles Simic – Na Biblioteca

Para Octavio Há um livro chamado “Um Dicionário dos Anjos”. Não foi aberto por ninguém em cinquenta anos, Eu sei, porque quando o fiz As capas rangeram, as páginas desintegraram-se. Nele descobri Que os anjos já foram tão abundantes Quanto moscas. O céu ao entardecer Costumava ficar repleto deles. Você precisava agitar ambos os braços…
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Jorge Luis Borges – Sobre nós

Amamos o que não conhecemos, o já perdido. O bairro que foi periferia. Os antigos, que já não podem nos decepcionar porque são mito e esplendor. Os seis volumes de Schopenhauer, que não acabaremos de ler. A lembrança, não a leitura, da segunda parte do Quixote. O Oriente que, sem dúvida, não existe para o…
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José Alcaraz – Volta para Casa

Atravessa as ruasabsorto nos ecos das pessoas,distante até de seus pensamentos.Não chove, não abre o seu guarda-chuva,no entanto, como sempre, molham-senão só seus sapatoscomo a vida também, porque às vezesesquece que o mundo o reclama.Caminha como quem não sabe para onde,em cada passo crê estar sozinho,mais distante das outras pessoas,por isso demora a encontrar as…