Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Miriam Reyes – Imóvel

abandonado a teu peso de homem imóvel olhas-me com antiquíssimos ressentimentos. Ouve-me bem: sou inocente de teu passado não sou a tua puta mãe nem a tua enferma mãe nem a tua louca mãe embora seja uma puta louca. Não mereço receber agressões alheias, atrasadas e caducas. Não projetes em mim os fantasmas de tua…
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Joan Margarit – Um pobre instante

A morte não é mais do que isto: um quarto, a luminosa tarde na janela, e este toca-fitas na mesinha tão desligado como o teu coração com todas as tuas canções cantadas para sempre. Teu último suspiro segue dentro de mim, todavia em suspenso: não deixo que termine. Sabes qual é, Joana, o próximo concerto?…
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Miquel Martí i Pol – Tua Solidão

Enquanto puderes, não desperdices tua solidão, dedicando-a a uma absurda busca do nada, nem persigas a ti próprio obsessivamente por escuras galerias. Assustado pela luz dos preceitos. Sai no sol a pino e olha para as coisas difíceis. Considera que o jogo desmedido das palavras não te servirá de nada se não te apoiares naquilo…
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Joan Margarit – Quando se perde o sinal

À noite, em um pequeno aeroporto, vês um avião que está decolando. Vai-se perdendo o sinal. Sem nenhuma piedade pelo que foste, pois a piedade é demasiado efêmera e não há tempo para construir nada sobre ela, convences-te de que vives, embora sem esperanças, uma época que é a mais feliz de tua vida. Há…
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Piedad Bonnett – Volta à Poesia

Outra vez volto a ti. Cansada venho, definitivamente solitária. Minha bolsa cheia de tristeza trago, carregada de penas infinitas, de dor. Dos desertos venho com os lábios ardentes e o olhar cego pelo vento forte e a dura areia. Abrasada de sede, venho beber de teus profundos mananciais, render-me em teus braços, fundos braços de…
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Alejandra Pizarnik – Capítulos Principais

Chega a morte com sua manada de ossos sorrio submissa a uma menina idiota que implora em meu nome juntas (a morte, a menina e eu) não encontramos outro ofício para execrar. No final todos se casam: o mar e as ondas, a noite e a escuridão, a taça e o vinho, o anel e…
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Joan Margarit – Não jogues fora as cartas de amor

Elas não te abandonarão. O tempo passará, apagar-se-á o desejo — esta flecha da sombra — e os rostos sensuais, belos e inteligentes, ocultar-se-ão em ti, no fundo de um espelho. Passarão os anos. Cansar-te-ão os livros. Decairás ainda mais e perderás até mesmo a poesia. O ruído da cidade nas vidraças acabará por ser…
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Tishani Doshi – Poema de Amor

No fim, perderemos um ao outro para alguma coisa. Espero que para algo grandioso – morte ou desastre. Mas pode não ser dessa maneira. Pode ser que você saia para comprar cigarros uma manhã depois de termos feito amor e nunca mais retorne, ou eu me apaixone por outro homem. Pode ser uma lenta caminhada…
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Felipe Benítez Reyes – Uma Forma de Eternidade

Então o medo era isto? Não os assustadores fantasmas do pensamento e da consciência. Não os longos corredores de hospitais com lâmpadas fluorescentes dia e noite. Nem sequer o tremor de irrealidade que permanece na alma se te recordas. O medo, aparentemente, é calmo: Chega quando fechas a janela e compreendes que tudo quanto vês…
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Alfredo Buxán – Lápide

Uma lágrima cai sobre a cal do solo, arde sob meus pés, consome na solidão minha solidão. Trad.: Nelson Santander Alfredo Buxán – Lápida Una lágrima cae sobre la cal del suelo, arde bajo mis pies, abrasa en soledad mi soledad.