Categoria: Nelson Santander – Traduções
-
Joan Margarit – Shostakovich. Sinfonia “Leningrado”

Lembras-te? Joana havia morrido. Íamos para o norte, tu e eu, no carro, para o apartamento junto ao mar, e ouvíamos esta sinfonia. Iniciamos a viagem em uma manhã luminosa e, dentro da música, o dia era de muros cobertos pelo gelo, vultos carregando sacos meio vazios e, no lago, trenós com cadáveres. Como uma…
-
Alfredo Buxán – A eternidade das Cinzas

Leia “A eternidade das cinzas”, de Alfredo Buxán, um poema contemplativo sobre mortalidade, silêncio e a fragilidade da existência humana.
-
Joan Margarit – Não estava longe, não era difícil

Chegou este tempo em que já não machuca a vida que se perde, em que a luxúria é tão só uma lâmpada inútil, e a inveja se olvida. É um tempo de perdas prudentes, necessárias, e não é um tempo de chegar mas de partir. O amor, agora, por fim coincide com a inteligência. Não…
-
Joan Margarit – Discurso do Método

Já de criança procurava as janelas para pode fugir com o olhar. Desde então, se entro em um lugar, observo com atenção onde deixo meu casaco e onde está a porta de saída. Liberdade, para mim, quer dizer fuga. Há muitas portas no mundo. Inclusive o sexo, em caso de emergência, pode sê-lo, embora todas…
-
Idea Vilariño – Ou foram nove

Talvez tivemos só sete noites não sei não as contei como poderia ter feito. Talvez não mais que seis ou foram nove. Não sei, mas valeram a pena como o amor mais duradouro. Talvez com quatro ou cinco noites dessas, mas precisamente como essas, talvez seja possível viver como de um longo amor uma vida…
-
Eduardo Chirinos – O que meu pai realmente quer de mim

1Esta noite tive um sonho. Acompanhava meu paipor uma estrada de terra. Os dois íamos a cavaloe mal trocávamos uma palavra. Ao longe, avistava-sea sombra de alguns salgueiros, as luzes de um povoadodesconhecido e remoto. De repente, meu pai deteveseu cavalo e perguntou se eu sabia para onde íamos.Respondi que não. Então vamos bem, ele…
-
Jaime Gil de Biedma – Happy ending

Embora, à noite, comigo já não durmas mais, o acaso dirá talvez se é definitivo. Que embora o prazer nunca mais volte a ser o mesmo, na vida o esquecimento não costuma durar. Trad.: Nelson Santander Jaime Gil Biedma – Happy ending Aunque la noche, conmigo, no la duermas ya, sólo el azar nos dirá…
-
Javier Salvago – Um pouco mais sábios, um pouco mais cegos

Quando você não é mais jovem, se convence de que o diabo sabe mais porque é velho e admite que os anos nos ensinam a distinguir a realidade do sonho. Talvez não. Talvez a vida só se nos mostre uma vez – quando temos olhos para aprecia-la – e depois vamos esquecendo seu rosto e…
-
Javier Salvago – Convém não esquecer

Por esta via que chamam vida, vamos com cautela devida, tal qual um cego. Mas em cinzas termina todo e qualquer fogo. Trad.: Nelson Santander Javier Salvago – Conviene no Olvidarlo Por esta senda, que llaman vida, todos vamos a tientas, igual que un ciego. En ceniza terminan todos los fuegos.
-
Mario Benedetti – Tempo sem Tempo

Preciso de tempo, necessito desse tempo que os outros deixam de lado porque lhes sobra ou já não sabem o que fazer com ele tempo em branco em rubro em verde mesmo em castanho escuro não me importa a cor cândido tempo que eu não posso abrir e fechar como uma porta tempo para olhar…