Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Isabel Bono – O futuro acabará por chegar

desperdiçávamos o tempoorganizando num álbum as fotos do verãopara um dia olhá-las com nostalgia acumulávamos bolinhas de gude pedraslivros cartas poemas adiávamos assim a felicidade, a vida ainda não sei por quêainda não sei para quando Trad.: Nelson Santander El Futuro Acabará por Llegar malgastábamos el tiempo ordenando en un álbum las fotos del verano…
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César Cantoni – Álbum de Família

Morreu meu pai, morreram meus avós, morreram meus tios de sangue e por afinidade. Uma família inteira de ferreiros, marceneiros, curtidores, pedreiros, jaz agora sem forças embaixo da terra. E eu, o mais inútil de todos, o que não sabe fazer nada com as mãos, logrei sobreviver impunemente para chorar diante de uma foto o…
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César Cantoni – O mais digno em nós

Eu sempre pensei que os ossos, com seu brilho mineral de pedra polida pela chuva, são o que há de mais digno em nós: sobrevivem largamente à putrefação indecorosa da carne e não têm a malícia nem a maldade da alma. Trad.: Nelson Santander César Cantoni – Lo más digno de nosotros Siempre pensé…
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Mario Benedetti – Angelus

Quem me diria que o destino era isso Vejo a chuva através de letras invertidas Uma parede com manchas que parecem homens Os tetos dos ônibus brilhantes como peixes E essa melancolia que impregna as buzinas Aqui não há céu, Aqui não há horizonte. Há uma mesa grande para todos os braços E uma cadeira…
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Miquel Martí i Pol – No ano que vem

No ano que vem já ninguém reparará em nós. Agora somos recém-chegados e fitam-nos com desprezo até mesmo os que andam por cá há quarenta anos e já nada os muda. Temos um ar aturdido e tenaz que faz rir as mulheres e quase nem nos atrevemos a mexer a cabeça por temor a perder…
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César Cantoni – Uma Arte Invisível

O poeta caminha nu pelas ruas, mas ninguém o vê. O poeta vai ao cinema, desvia de putas, anda de ônibus, sempre nu, mas as pessoas olham para outro lado. O poeta não tem meios de chamar a atenção porque a poesia é uma arte invisível. A poesia se escreve sem palavras. Trad.: Nelson Santander…
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Amalia Bautista – O Anjo Perplexo

Nunca houve deus, nem virgens, nem santos, nem ídolo que proteja, nem oração que console; nunca houve milagres ou maravilhas, nem a salvação da alma, nem a vida eterna; nem palavras mágicas, nenhum bálsamo eficaz contra a dor que não desaparece nunca; nem luz do outro lado das sombras, nem saída do túnel, nem esperança.…
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Amalia Bautista – Agora

Agora que a estrada que devo percorreré um viaduto por sobre uma rodoviado qual dá medo de olhar, porque o abismoimplacável me chama.Agora que morreu a esperançacomo um pássaro jogado de seu ninhopor irmãos mais fortes.Agora que é noite todo dia,inverno todo anoe as semanas só têm segundas-feiras,para onde olhar, para onde voltar os olhos,que…
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Amalia Bautista – O que fazes aqui

Pensei que havia-te dito adeus,um adeus definitivo, ao deitar-mequando pude finalmente fechar meus olhose esquecer-me de ti e de tuas artimanhasde tua insistência, de tua baba ruim,da tua capacidade de anular-me.Pensei que havia-te dito adeuspara todo o sempre, e eu acordoe te encontro novamente junto a mim,dentro de mim, me envolvendo, ao meu lado,invadindo-me, sufocando-me,…
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Anne Sexton – Frágil Fio

Minha féé um grande pesopendurado num frágil fio,como a aranhasuspende seu bebê numa fina teia,como a videira,toda ramos e madeira,sustenta uvascomo globos oculares,como tantos anjosdançam na cabeça de um alfinete. Deus não precisade muito fio para mantê-Lo ali,apenas uma veia fina,com sangue pulsando,e um pouco de amor.Como já se disse:O amor e a tossenão podem…