Categoria: Nelson Santander – Traduções
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Eira Stenberg – Falar de Amor

Falar de amor, do que não se pode falar – desse beco sem saída que é o espelho onde alguém pende de cabeça em uma árvore invisível com as pernas cingindo um ramo como se lutasse contra a gravidade e abrisse a boca sem emitir som algum. Ou falar como se o amor fosse uma…
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Fernando Luis Chivite – “Abril é o mês mais cruel”

Às vezes, sem que nada pareça particularmente favorável – nem lúgubres violinos, nem a tarde tornando-se violeta e perigosa – sente-se que a vida segue sendo estranha, e desenvolve senhas inéditas, desordena papéis, acende cigarros com uma inquietude excessiva, como querendo assegurar-se que o tempo não se deterá, que o olvido é só algo fortuito,…
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Rocío Wittib – Imprescindível não é a direção…

imprescindível não é a direção o caminho no mapa a geografia é apenas um acidente para quem se busca e suspeita que distância não significa quilômetros tampouco importa o destino porque nunca se está em um lugar preciso mas constantemente em uma fronteira entre o desespero do ser e o anseio de resistir não há…
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Jorge Teillier – Blue

Verei novos rostos Verei novos dias Serei esquecido Terei remembranças Verei sair o sol quando sai o sol Verei cair a chuva quando chove Andarei a esmo De um lado a outro Aborrecerei meio mundo Contando a mesma história Me sentarei para escrever uma carta Que não me interessa enviar Ou para olhar as crianças…
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Rosa Leveroni i Valls – De “Epigramas e Canções”

Eu levo dentro de mim para fazer-me companhia a solidão apenas. A solidão imensa do amor infinito que queria ser terra, ar e sol, mar e estrela, para que fosses mais meu, para que eu fosse mais tua. Trad.: Nelson Santander Rosa Leveroni i Valls – De “Epigrames i cançons” Jo porto dintre meu per…
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Mary Oliver – Como é conosco, e como é com eles

Nós nos tornamos religiosos,depois nos afastamos disso,depois precisamos de ajuda e talvez voltemos.Nos voltamos para ganhar dinheiro,depois nos voltamos para a vida moral,depois pensamos novamente em dinheiro.Conhecemos pessoas maravilhosas, mas as perdemosna nossa correria.Estamos, como se costuma dizer, atirando para todo lado.A constância, ao que parece,tem mais a ver com os cães do que conosco.Uma…
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Laia Noguera i Clofent – Sem título

Amo a vida simples, sentar-me à entrada para ver o ir e vir das pessoas, como se move um pardal, como se inclina a tarde nas casas do corpo. Já sei que morrerei muito antes de morrerem as árvores que amo. Mas nada me preocupa, porque no instante em que se me romper o último…
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Nicanor Parra – Composições

I Cuidado, todos mentimos Mas eu proclamo a verdade. A matemática enfada Mas nos dá o de comer. Por outro lado, se escreve Poema para viver Ninguém gosta de assumir Culpa por vidros quebrados. Se escreve contra si mesmo Em virtude dos demais Que indecente é fazer versos! Quando menos se esperar Darei um tiro…
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Anne Sexton – A Terra Desmorona

Se eu pudesse culpar o clima por tudo, a neve como a mesa de dissecação, as árvores que se tornam agulhas de tricô, o chão, tão rijo como uma arinca congelada, o lago vestindo seu bigode de geada. Se eu pudesse culpar tais circunstâncias, se eu pudesse culpar os corações de estranhos descendo as ruas…
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Aldo Oliva – O Elevador de Hera

Dizem os insetos sensatos e sensíveisque as paredes e os grandesmuros são apenas um hálito veementeconjurando o nada, o infinito.Por estes ladrilhos de não serascendem, como habitáculosde fúria, os corpos corrompidosdas palavras. Quem me impôs,rasgando minha inocência animalna pedra lavada da minha profundidade biológica,esta ascensão conjetural?Só o vazio que advémdo alto, que advém e obstina(furacão…