Mês: janeiro 2023
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Les Murray – Criação contínua

Não trazemos nada para este mundoexceto nossa capacidade gradual de criá-lo, dentre tudo o que desaparecee tudo o que viverá mais que nós. Trad.: Nelson Santander Continuous Creation We bring nothing into this worldexcept our gradual abilityto create it, out of all that vanishesand all that will outlast us.
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Inês Lourenço – As Coisa que Cessam

Tanto desprezopelo que é transitório e finito. Não servireisenhor que possa morrer. Mas passamosa vida a amar todas as fragilidadesdas coisas que cessam. Hácoisa mais breve do que um sorriso?Coisa mais curta que a alegriade um reencontro? Tudo o que amamosé passageiro e frágil ouas duas coisas. Mas persegue-nosa nostalgia do infindávelcomo uma tara hereditária.…
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Ursula K. Le Guin – Parentesco

Ardendo muito lentamente, a grande árvore da florestase ergue da sutil cavidade de nevederretida ao seu redor pelo brando e duradourocalor de seu ser e de sua vontade de serraiz, tronco, ramo, folha, e de conhecer aterra escura, a luz do sol, o toque do vento, o canto do pássaro. Desenraizados, desassossegados e de sangue…
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Mario Quintana – Envelhecer

Antes, todos os caminhos iam.Agora todos os caminhos vêm.A casa é acolhedora, os livros poucos.E eu mesmo preparo o chá para os fantasmas. REPUBLICAÇÃO: poema publicado no blog originalmente em 10/01/2018
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Maria Mazziotti Gillan – Foi uma semana

“Foi uma semana … de olhar para cima, para dentro, abaixo da superfície e para o passado.”—New York Times, D3, May 5, 2013 Este ano foi assim para mim, você, morto já há três anos e transposto para aquele outro lugar onde eu não possotoca-lo, e que deixei para trás olhando para cima, para aquele…
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Tomas Tranströmer – Minnena Ser Mig (em duas traduções)

Memórias que me Observam Manhã de Junho, cedo demais para acordar,tarde demais para adormecer. Tenho de sair – é densa a folhagem dasmemórias, perseguem-me com o seu olhar. Não se deixam ver, misturam-se todascom o fundo, verdadeiros camaleões. Tão perto estão que as ouço respiraremaqui onde o canto do pássaro ensurdece. Trad.: José…
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Mary Oliver – Flores brancas

Ontem à noiteno campoeu me deitei no escuropara pensar na morte,mas em vez disso adormeci,como se estivesse em um quarto vasto e inclinadorepleto daquelas flores brancasque se abrem todo verão,viscosas e desordenadas,nos tépidos campos.Quando desperteia luz da manhã deslizavaperante as estrelas,e eu estava cobertade flores.Não seicomo aconteceu —não seise meu corpo mergulhoupara baixo das adocicadas…
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Rainer Maria Rilke – Fonte Romana

Vila Borghese Duas velhas bacias sobrepondosuas bordas de mármore redondo.Do alto a água fluindo, devagar,sobre a água, mais embaixo, a esperar, muda, ao murmúrio, em diálogo secreto,como que só no côncavo da mão,entremostrando um singular objeto:o céu, atrás da verde escuridão; ela mesma a escorrer na bela pia,em círculos e círculos, constante-mente, impassível e sem…
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Andrea Cohen – Barganha

Pagamos-lhe quasenada — menos do que o poucoque ele pedira — para nos levar ao anoitecer das pirâmidesem camelos deserto adentro.Estipêndio tão escasso para nos levar, sem reclamar, para tão longe —até aqui, sem uma estrela. Estávamos no meio do nada, ou em sua borda.Amigos, perguntou ele, de dentro daquela escuridão,quanto vocês me pagarãopara leva-los…
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Giuseppe Ungaretti – Vigília

“Vigília”, um poema de Giuseppe Ungaretti que transforma a noite ao lado do cadáver de um companheiro em revelação extrema: diante da morte brutal, o apego à vida torna-se absoluto.