Mês: janeiro 2023
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Dan Albergotti – Coisas para fazer no ventre da baleia

Meça as paredes. Conte as costelas. Registre os longos dias.Olhe para o céu azul por entre os esguichos. Faça pequenas fogueirascom os cascos partidos dos barcos de pesca. Pratique sinais de fumaça.Ligue para os velhos amigos e escute os ecos de vozes distantes.Organize sua agenda. Sonhe com a praia. Busque por toda jornadapelo pálido brilho…
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Dylan Thomas – E a Morte não terá nenhum Domínio

E a morte não terá nenhum domínio. Nus, os mortos irão se confundir Com o homem no vento e a lua no poente; Quando seus alvos ossos descarnados se tornarem pó, Haverão de brilhar as estrelas em seus pés e cotovelos; Ainda que enlouqueçam, permanecerão lúcidos, Ainda que submersos pelo mar, haverão de ressurgir; Ainda…
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Judith Hemschemeyer — Naquele verão

Naquele verãodepois que você se enforcousem perguntar a ninguém que o amavase eles podiam suportar dei por mim arrastando mangueirasregando cada centímetro desse imenso gramadodia após diaperfeito obcecadaincapaz de deixar mais alguma coisauma única folha de gramamorrer. Trad.: Nelson Santander That Summer That summer after you hanged yourself without asking anyone who loved you if…
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Mario Cesariny – Os Pássaros de Londres

Os pássaros de Londrescantam todo o invernocomo se o frio fosseo maior aconchegonos parques arrancadosao trânsito automóvelnas ruas da neve negrasob um céu sempre duroos pássaros de Londresfalam de esplendorcom que se ergue o estioe a lua se derramapor praças tão sem corque parecem de panoem jardins germinandosob mantos de gelocomo se gelo forao linho…
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Matthew Olzmann – Carta à pessoa que gravou suas iniciais no mais antigo pinheiro de folha longa da América do Norte

Southern Pines, Carolina do Norte Diga-me como é viver semcuriosidade, sem sentir admiração. Navegarem águas cristalinas, desviando os olhosdos recifes de algas que ondulamabaixo de você, ignorando o cintilardas escamas de sereias no nevoeiro,olhando para o mundo e sentindoapenas tédio. Estarà beira do precipício de algum vale selvagem,as águias circulando, um rebanho de caribustrovejando lá…
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Ruy Espinheira Filho – Canção de Depois de Tanto

a Roniwalter Jatobá Vamos beber qualquer coisa,que a vida está um desertoe o coração só me pulsasombras de Ido e do Incerto. Vamos beber qualquer coisa,que a lua avança no mare há salobros fantasmasque não quero visitar. Vamos beber qualquer coisaamarga, rascante, rude,brindando sobre o…
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Don Peterson – Compaixão

“Compaixão”, um poema de Don Peterson que transforma o adeus a um animal amado em gesto extremo de ternura, onde a morte se confunde com cuidado e fidelidade.
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Deborah Pope – Passando

Como um carro engatado,uma galinha estúpida demais para perceberque sua cabeça se foi,ou aquele som que não cessamesmo depois do filmeter caído da bobina,um telefonetocando e tocandona casa de onde todosse mudaram,através de salas onde o póse aprofunda em camadas,e o cadeado é desnecessário,assim eu continuo te amando,meu coração claudicando,um músculo entornandoo que não é…
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Petrarca – Soneto CXXXIII (“O Amor me Assinalou com sua Seta”)

“Soneto CXXXIII (“O Amor me Assinalou com sua Seta”)”, um poema de Francesco Petrarca que retrata o amor como força avassaladora e paradoxal, comparando seus efeitos ao fogo, ao sol e ao vento, e explorando a tensão entre êxtase, dor e aniquilação amorosa.
