Mês: fevereiro 2016
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Giuseppe Ungaretti – De uma Estrela à Outra

Daquela estrela à outra A noite se encarcera Em turbinosa vazia desmesura, Daquela solidão de estrela Àquela solidão de estrela Trad: Haroldo de Campos
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Salvatore Quasimodo – E de repente é noite

Cada um está só no coração da terra traspassado por um raio de sol: e de repente é noite. Trad.: Geraldo Holanda Cavalcanti
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Jorge Luis Borges – Limites

Há uma linha de Verlaine que não voltarei a recordar, Há uma rua próxima que está vedada a meus passos, Há um espelho que me viu pela última vez, Há uma porta que fechei até o fim do mundo. Entre os livros de minha biblioteca (estou vendo-os) Há algum que já nunca abrirei. Este verão…
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Antero de Quental – Divina Comédia

Erguendo os braços para o Céu distante E apostrofando os deuses invisíveis, Os homens clamam: – «Deuses impassíveis, A quem serve o destino triunfante, Porque é que nos criastes?! Incessante Corre o tempo e só gera, inextinguíveis, Dor, pecado, ilusão, lutas horríveis, Num turbilhão cruel e delirante… Pois não era melhor na paz clemente Do…
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Friedrich Hölderlin – Outrora e Agora

De manhã era feliz, quando jovem, E à noite chorava; já hoje, mais velho, Começo meu dia em dúvida, porém Seu fim é para mim sagrado e sereno. Trad.: Antonio Cicero Ehmals und jetzt In jüngern Tagen war ich des Morgens froh, Des Abends weint’ich; jetzt, da ich älter bin, Beginn ich zweifelnd meinen Tag,…
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Friedrich Hölderlin – A Brevidade

“Por que és tão breve? Não amas mais, como outrora, O canto? Quando jovem, não chegavas, Nos dias de esperança, Nunca ao fim, quando cantavas!” Tal qual minha sorte é meu canto. – Queres ao arrebol Banhar-te alegremente? Foi-se! E a terra está fria E o pássaro da noite esvoaça incomodamente aos olhos teus. …
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Rainer Maria Rilke – A Morte do Poeta

Jazia. A sua face, antes intensa, pálida negação no leito frio, desde que o mundo, e tudo o que é presença, dos seus sentidos já vazio, se recolheu à Era da Indiferença. Ninguém jamais podia ter suposto que ele e tudo estivessem conjugados e que tudo, essas sombras, esses prados, essa água mesma eram o…
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Vinicius de Moraes – Soneto do Gato Morto

Um gato vivo é qualquer coisa linda Nada existe com mais serenidade Mesmo parado ele caminha ainda As selvas sinuosas da saudade De ter sido feroz. À sua vinda Altas correntes de eletricidade Rompem do ar as lâminas em cinza Numa silenciosa tempestade. Por isso ele está sempre a rir de cada Um de nós,…
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Wislawa Szymborska – O primeiro amor

Dizem que o primeiro amor é o mais importante. Isso é muito romântico, mas não é o meu caso. Algo entre nós houve e não houve, se deu e se perdeu. Não me tremem as mãos quando encontro as pequenas lembranças e o maço de cartas atadas com barbante se ao menos fosse uma fita.…
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Ian Hamilton – Epitáfio

O aroma de rosas velhas e tabaco Faz-me regressar. Há quase vinte anos Que não nos vemos E a nossa desapegada paixão continua. Foi isto que me deixaste: A mão, entreaberta, imóvel Sobre uma colcha verde. O bastante para erguer Alguns poemas melancólicos. Se então eu te houvesse tocado Um de nós podia ter sobrevivido.…