Mês: fevereiro 2016
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Fernando Pessoa – Poema 165 (Cancioneiro)

Tenho tanto sentimento Que é freqüente persuadir-me De que sou sentimental, Mas reconheço ao medir-me, Que tudo isso é pensamento, Que não senti afinal. Temos, todos que vivemos, Uma vida que é vivida E outra vida que é pensada, E a única vida que temos É essa que é dividida Entre a verdadeira e a…
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Pedro Salinas – Não Te Vejo

Não te vejo. Bem sei que estás aqui, atrás de uma frágil parede de ladrilhos e cal, bem ao alcance da minha voz, se chamasse. Mas não chamarei. Chamarei amanhã, quando, ao não te ver mais imagine que continuas aqui perto, ao meu lado, e que basta hoje a voz que ontem eu não quis…
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William Butler Yeats – Viajando para Bizâncio

Aquela não é terra para velhos. Gente jovem, de braços dados, pássaros nas ramas — gerações de mortais — cantando alegremente, salmão no salto, atum no mar, brilho de escamas, peixe, ave ou carne glorificam ao sol quente tudo o que nasce e morre, sêmen ou semente. Ao som da música sensual, o mundo esquece…
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W. H. Auden – Blues Fúnebre

BLUES FÚNEBRE – 1ª Tradução Que parem os relógios, cale o telefone, jogue-se ao cão um osso e que não ladre mais, que emudeça o piano e que o tambor sancione a vinda do caixão com seu cortejo atrás. Que os aviões, gemendo acima em alvoroço, escrevam contra o céu o anúncio: ele morreu. Que…
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Giuseppe Ungaretti – San Martino del Carso

Valloncello dell’Albero Isolato, 27 de agosto de 1916 Destas casas nada sobrou senão alguns pedaços de muro De quantos me foram próximos nada sobrou nem tanto No coração porém nenhuma cruz me falta É o meu coração a região mais destroçada Trad.: Geraldo Holanda Cavalcanti Giuseppe Ungaretti – San Martino Del Carso Valloncello dell’Albero Isolato…
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Vinicius de Moraes – Poema de Natal

Para isso fomos feitos: Para lembrar e ser lembrados Para chorar e fazer chorar Para enterrar os nossos mortos — Por isso temos braços longos para os adeuses Mãos para colher o que foi dado Dedos para cavar a terra. Assim será nossa vida: Uma tarde sempre a esquecer Uma estrela a se apagar na…
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Cassiano Ricardo – A Graça Triste

Só me resta agora Esta graça triste De te haver esperado Adormecer primeiro. Ouço agora o rumor Das raízes da noite, Também o das formigas Imensas, numerosas, Que estão, todas, corroendo As rosas e as espigas. Sou um ramo seco Onde duas palavras Gorjeiam. Mais nada. E sei que já não ouves Estas vãs palavras.…
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Ezra Pound – Canto LXXXI (fragmentos)

O que amas de verdade permanece,o resto é escória.O que amas de verdade não te será arrancadoO que amas de verdade é tua herança verdadeiraMundo de quem, meu ou delesOu não é de ninguém?Veio o visível primeiro, depois o palpávelElísio, ainda que fosse nas câmaras do inferno,O que amas de verdade é tua herança verdadeiraO…