Tag: Violência
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Ferreira Gullar – Digo Sim

Poderia dizerque a vida é bela, e muito,e que a revolução caminha com pés de flornos campos de meu país,com pés de borrachanas grandes cidades brasileirase que meu coraçãoé um sol de esperança entre pulmõese nuvens Poderia dizer que meu povoé uma festa só na vozde Clara Nunesno rodardas cabrochas no Carnavalda Avenida.Mas não. O…
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Agi Mishol – A mártir

Leia A Mártir, de Agi Mishol, um poema impactante sobre terrorismo, desumanização e as tragédias humanas geradas pelo conflito.
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Claudia Rankine – Intempérie

Em um pedaço do papel no arquivo está escritoesqueci minha sombrinha. Acontece queem uma pandemia todos, não só o filósofo,estamos sem uma. Nós batalhamos na seca de informaçõesretidas por investidores privilegiados. Gota a gota. Protegendoo rosto? Sim. Distanciamento social? Sete palmossob a terra por condições subjacentes. Pretos.Apenas nós e os azuis ajoelhados em um pescoçocom…
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Louise Glück – Santas

Em nossa família, havia duas santas,minha tia e minha avó.Mas suas vidas foram diferentes. A vida de minha avó foi tranquila, mesmo no final.Era como alguém caminhando em águas calmas;por alguma razãoo mar não conseguia decidir-se a feri-la.Quando minha tia tomou o mesmo caminho,as ondas quebraram sobre ela, atacaram-na,que é como as Moiras respondema uma…
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Adelaide Ivánova – sobre uma foto no huffington post, em 01 de novembro de 2015

“Sobre uma foto no Huffington Post, em 01 de novembro de 2015”, um poema de Adelaide Ivanova que confronta a violência extrema contra mulheres com os limites da linguagem, da arte e da ação política.
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Amalia Bautista – Contra ‘Remedia Amoris’

Não sou desse género de mulheresincapazes de amor e de ternura.Odeio o sacrifício e repugna-mea vaidade que nasce da violência,mas sei o que é valor e o que é sangue.Quero ser a mulher de um mercenário,de um poeta ou mártir, vai dar ao mesmo.Porque sei olhar nos olhos dos homens.Conheço quem merece a minha ternura.…
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Ferreira Gullar – Digo Sim

Poderia dizer que a vida é bela, e muito, e que a revolução caminha com pés de flor nos campos de meu país, com pés de borracha nas grandes cidades brasileiras e que meu coração é um sol de esperança entre pulmões e nuvens Poderia dizer que meu povo é uma festa só na voz…
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Álvaro de Campos – Poema em Linha Reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, Indesculpavelmente sujo, Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho, Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, Que tenho enrolado…
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Jorge de Lima – A Divisão de Cristo

Dividamos o mundo em duas partes iguais: uma para portugueses, outra para espanhóis. Vêm quinhentos mil escravos no bojo das naus: a metade morreu na viagem do oceano. Dividamos o mundo entre as pátrias. Vêm quinhentos mil escravos no bojo das guerras: a metade morreu nos campos de batalha. Dividamos o mundo entra as máquinas.…
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Jorge Luis Borges – As Coisas

A bengala, as moedas, o chaveiro, a fechadura dócil, as tardias notas que não lerão os poucos dias que me restam, o naipe, o tabuleiro, um livro e dentro dele a emurchecida violeta, monumento de uma tarde por certo inesquecível já esquecida, o rubro espelho ocidental em que arde uma aurora ilusória. Quantas coisas, atlas,…