Tag: Vida
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Luis Cernuda – No Meio da Multidão

Em meio à multidão eu o vi passar, com os olhos tão louros quanto seus cabelos. Caminhava abrindo o ar e os corpos; uma mulher se ajoelhou à sua passagem. Senti o sangue desertar de minhas veias, gota a gota. Vazio, andei sem rumo pela cidade. Gente estranha passava ao meu lado sem me ver.…
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Luis Alberto de Cuenca – Insônia

A vida dura muito pouco. Não dá tempo de se fazer nada. Não há meios de reunir dias suficientes para aprender algo. Levantas, abraças tua namorada, tomas teu café da manhã, trabalhas, comes, dormes, vais ao cinema, e nem sequer tens um momento para ler Sêneca e acreditar que tudo neste mundo tem conserto. A…
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Charles Bukowski – Até

Nós temos que viver com a perda e talvez jogar com uma mão de cartas ruim e nós sabemos o tempo todo qual é o placar. Nós o suportamos como Hemingway ou o descartamos como Camus mas nós sabemos nós sabemos. É assim que funciona e damos corda no relógio e esperamos pela madrugada ou…
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Rosario Castellanos – Destino

Matamos o que amamos. O resto nunca esteve vivo. Ninguém está tão perto. A nenhum outro fere um esquecimento, uma ausência, às vezes menos. Matamos o que amamos. Que cesse esta asfixia de respirar por um pulmão distante! O ar não é suficiente para os dois. E não basta a terra para os corpos juntos…
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Germana Zanettini – Leia Antes de Usar

não, aqui não há lugares reservados [de antemão já lhe adianto: nem adianta olhar para os lados] o ambiente não é climatizado os assentos não são flutuantes e máscaras de oxigênio não cairão sobre suas cabeças para sua segurança e conveniência informamos que a vida não vem equipada com saídas de emergência
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Luis Alberto de Cuenca – Abre todas as Portas

Abre todas as portas, a que conduz ao ouro, a que leva ao poder, a que esconde o mistério do amor; a que oculta o segredo insondável da felicidade, a que a vida te oferta para sempre no gozo de uma visão sublime. Abre todas as portas, sem te mostrares curioso, nem dar importância às…
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Rui Pires Cabral – Cartas

Escreves-me cartas, sou o destinatário da tua solidão. E sempre compreendo tudo, mesmo o que não dizes, o que tinge as entrelinhas de um branco desespero que é tanto teu como meu: não tens quem te salve, envelheceste, trataste mal de um jardim que não chegou a vingar. Se nos cruzássemos nas ruas desta cidade…
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António Franco Alexandre – Quero dizer-te: não morras

quero dizer-te: não morras. Nem me digas quem és, quem foste, como sabes a língua que se fala sobre a terra. Ao lume lanço toda a vontade de viver, ser vivo, a cautela do ar, ardendo em torno. Passarei, terás passado em mim, só quero dizer-te: não morras nunca, agora, nunca mais.
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Carlos Marzal – Estranha Forma de Vida

A Vicente Gallego Sob a bigorna de fogo que o sol de agosto acende no muro caiado, derretem-se as pétalas de uma sedenta buganvília grená. Que estranha esta beleza moribunda, esta desaforada desnudez grandiosa, esta sílaba breve do milagre. Trad.: Inês Dias Carlos Marzal – Extraña Forma de Vida Bajo el yunque de…
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Inês Lourenço – As Coisa que Cessam

Tanto desprezo pelo que é transitório e finito. Não servirei senhor que possa morrer. Mas passamos a vida a amar todas as fragilidades das coisas que cessam. Há coisa mais breve do que um sorriso? Coisa mais curta que a alegria de um reencontro? Tudo o que amamos é passageiro e frágil ou as duas…