Tag: Soneto
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Paulo Henriques Britto – de “Oito sonetos entrópicos”

I Deixar de ser é coisa natural,como é natural ser. Pensando bem(ou só pensando, seja bem ou mal),o que haverá de natural, porém,em ser o que se é, e não ser, apenas?Não haverá um toque de artifícioimplícito em escamas, pelos, penas,nos ossos que sustentam o edifíciotodo, na fome que impele essa máquinafuriosa e cega, essa…
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Francisca Aguirre – E se, depois de tudo, fosse o resto

E se, depois de tudo, fosse o restoum ir morrendo para ao fim morrermospor este louco afã de convertermo-nosem contadores de um momento lesto. E se afigura que o correto eraeste sermão que vem nos repetirque avança o furacão de nos ferir,e é vã e absurda esta carreira. Então fique tranquilo, amor meu,e goza desta…
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Petrarca – Soneto CXXXIII (“O Amor me Assinalou com sua Seta”)

“Soneto CXXXIII (“O Amor me Assinalou com sua Seta”)”, um poema de Francesco Petrarca que retrata o amor como força avassaladora e paradoxal, comparando seus efeitos ao fogo, ao sol e ao vento, e explorando a tensão entre êxtase, dor e aniquilação amorosa.
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Eavan Boland – Atlântida – Um soneto perdido

Como foi que isso aconteceu, eu me perguntava,que uma cidade inteira – arcos, pilares, colunatas,sem falar em veículos e animais – tivesse,um belo dia, afundado? Quer dizer, eu dizia a mim mesma, o mundo era pequeno naquela época.Uma grande cidade certamente teria feito falta?Sinto falta da nossa velha cidade — pimenta-branca, morcela branca, você e…
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Paulo Henriques Britto – De “Cinco Sonetos Frívolos”

(…) III Mesmo o mais sólido somesem deixar nenhum vestígio,sem nem se ter (como exige ocostume) lhe dado um nome. E, como sempre, o sentido —que se dá a posteriori,antes que se deteriorede todo o mal percebido — não capta mais que um minúsculoângulo do evento únicoque só durou um segundo Entrementes, coisas…
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Paulo Henriques Britto – De “Seis Sonetos Soturnos”

I A qualquer hora, o que se chama vidapode mudar da água pro vinho. Ou vice–versa. Cada palavra proferida —uma sentença grave, uma tolice —pode retornar feito um bumeranguecapaz de destruir o que encontrar.E nada que se funde em carne e sangueescapa dessas bólides de ar:o amor e demais estados de graça,reputações, ações, fazendas, gado,longos…
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Paulo Henriques Britto – Soneto Inglês

A surpresa do amor — quando já não seespera do mundo nada em especial,e a evidência de que os anos vão seacumulando sem nenhum sinalde sentido já não dói nem comove —quando em matéria de felicidadenão se deseja mais que uns novemetros quadrados de privacidadepara abrigar os prazeres amenosdo sexo fácil e da literaturadifícil —…
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Louis MacNeice – A luz do sol sobre o jardim

A luz do sol sobre o jardimEndurece e esmorece,Não podemos enjaular o minutoEm suas malhas de ouro;Quando tudo for dito,Não podemos pedir perdão. Nossa liberdade de soldados a soldoAvança rumo ao seu fim;A terra compele, sobre elaDescem sonetos e pássaros; E em breve, meu amigo,Não teremos tempo para danças. O céu era bom para voar,Desafiando…
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David Mourão-Ferreira – Soneto do cativo

Se é sem dúvida Amor esta explosão De tantas sensações contraditórias; A sórdida mistura das memórias, Tão longe da verdade e da invenção; O espelho deformante; a profusão De frases insensatas, incensórias; A cúmplice partilha nas histórias Do que os outros dirão ou não dirão; Se é sem dúvida Amor a cobardia De buscar nos…
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Garcilaso de la Vega – Soneto XXIII

Enquanto que de rosa e de açucena se mostra toda a cor neste teu rosto, enquanto o teu olhar ardente, honesto, acende o coração e o serena; e enquanto o teu cabelo, que das franjas do ouro se escolheu, com voo presto, sobre o formoso colo branco, ereto, o vento move, espalha e desarranja: colhe…