Tag: Soneto
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José Lino Grünewald – Soneto Burocrático

Salvo melhor juízo doravante, Dessarte, data vênia, por suposto, Por outro lado, maximé, isso posto, Todavia deveras, não obstante Pelo presente, atenciosamente, Pede deferimento sobretudo, Nestes termos, quiçá, aliás, contudo Cordialmente alhures entrementes Sub-roga ao alvedrio ou outrossim Amiúde nesse ínterim, senão Mediante qual mormente, oxalá quão Via de regra te-lo-ão enfim Ipso facto outorgado,…
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Petrarca – Soneto CXXXIII (“O Amor me Assinalou com sua Seta”)

O amor me assinalou com sua seta,como a neve ao sol, como a cera ao fogo,como névoa ao vento; e já estou rouco,dama, de humilhar-me, feito um pateta. De teus olhos o golpe mortal veio,contra o qual tempo e espaço nada são;Vêm de ti, e vês como diversão,o sol, o fogo e o vento aos…
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Petrarca – Soneto CCLXXII

A vida foge e não recua um passoE a morte, em grande marcha, vai em frente;As coisas do passado e do presente,Ao futuro reclamam meu espaço. A jornada que nesta vida eu traçoNa espera e na lembrança inutilmente,Por pena de mim mesmo descontenteEste caminho que ora fiz, desfaço. Se à lembrança me vem algum desejoDo…
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Pablo Neruda – De “Cem Sonetos de Amor”

XII Plena mulher, maçã carnal, lua quente, Espesso aroma de algas, lodo e luz pisados, Que obscura claridade se abre entre tuas colunas? Que antiga noite o homem toca com seus sentidos? Ai, amar é uma viagem com água e com estrelas, com ar opresso e bruscas tempestades de farinha: amar é um combate de…
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Eucanaã Ferraz – De “Orelhas” (1)

Estão certas todas as canções banais letras convencionais seus corações como são de praxe; estão certos os poemas enfáticos inchados de artifícios à luz óbvia da lua ou de estúpidos crepúsculos; os sonetos mal alinhavados toscos estão certos bem como as confissões íntimas não lapidadas reles nem polidas; ouçamos o que dizem sobre qualquer coisa;…
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Paulo Henriques Britto – de “Cinco Sonetos Frívolos”

V Súbito? Não. A coisa morre à míngua, um risco vira traço e o traço, ponto. Por exemplo: uma manhã de domingo, a mesa posta pro café, tudo pronto pra não se fazer nada – ou então a noite de uma terça-feira inane, sob o quebranto da televisão – mas isso não importa; que se…
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Paulo Henriques Britto – De “Cinco Sonetos Frívolos”

IV Até onde a vista alcança é real todo o visível. Como dançarina e dança formam um todo indistinguível, assim também não há esperança de se atingir algum nível em que uma e outra substância se separem, dando alívio à consciência inquietante de que no próximo instante o erro vai ser dissipado. Não vai. O…
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Vinicius de Moraes – Soneto de Quarta Feira de Cinzas

Por seres quem me foste, grave e pura Em tão doce surpresa conquistada Por seres uma branca criatura De uma brancura de manhã raiada Por seres de uma rara formosura Malgrado a vida dura e atormentada Por seres mais que a simples aventura E menos que a constante namorada Porque te vi nascer de mim…
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Paulo Henriques Britto – De “Cinco Sonetos Frívolos”

III Mesmo o mais sólido some sem deixar nenhum vestígio, sem nem se ter (como exige o costume) lhe dado um nome. E, como sempre, o sentido — que se dá a posteriori, antes que se deteriore de todo o mal percebido — não capta mais que um minúsculo ângulo do evento único…
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Paulo Henriques Britto – De “Seis Sonetos Soturnos”

I A qualquer hora, o que se chama vida pode mudar da água pro vinho. Ou vice- -versa. Cada palavra proferida — uma sentença grave, uma tolice — pode retornar feito um bumerangue capaz de destruir o que encontrar. E nada que se funde em carne e sangue escapa dessas bólides de ar: o amor…