Tag: Soneto
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Paulo Henriques Britto – Soneto Inglês

A surpresa do amor — quando já não se espera do mundo nada em especial, e a evidência de que os anos vão se acumulando sem nenhum sinal de sentido já não dói nem comove — quando em matéria de felicidade não se deseja mais que uns nove metros quadrados de privacidade para abrigar os…
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Vinicius de Moraes – Soneto de Maio

Suavemente Maio se insinua Por entre os véus de Abril, o mês cruel E lava o ar de anil, alegra a rua Alumbra os astros e aproxima o céu. Até a lua, a casta e branca lua Esquecido o pudor, baixa o dossel E em seu leito de plumas fica nua A destilar seu luminoso…
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Jules Laforgue – Mediocridade

No infinito coberto de eternas belezas, Como átomo perdido, incerto, solitário, Um planeta chamado Terra, dias contados, Voa com os seus vermes sobre as profundezas. Filhos sem cor, febris, ao jugo do trabalho, Marchando, indiferentes ao grande mistério, E quando um dos seus é enterrado, já sérios, Saúdam-no. Do torpor não são arrancados. Viver, morrer,…
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Olavo Bilac – Nel Mezzo Del Camin…

Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigadaE triste, e triste e fatigado eu vinha.Tinhas a alma de sonhos povoada,E a alma de sonhos povoada eu tinha… E paramos de súbito na estradaDa vida: longos anos, presa à minhaA tua mão, a vista deslumbradaTive da luz que teu olhar continha. Hoje, segues de novo… Na partidaNem o pranto teus…
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Machado de Assis – A Carolina

Querida, ao pé do leito derradeiroEm que descansas dessa longa vida,Aqui venho e virei, pobre querida,Trazer-te o coração do companheiro. Pulsa-lhe aquele afeto verdadeiroQue, a despeito de toda humana lida,Fez a nossa existência apetecidaE num recanto pôs um mundo inteiro. Trago-te flores, – restos arrancadosDa terra que nos viu passar unidosE ora mortos nos deixa…
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Carlos Drummond de Andrade – Destruição

Os amantes se amam cruelmentee com se amarem tanto não se vêem.Um se beija no outro, refletido.Dois amantes que são? Dois inimigos. Amantes são meninos estragadospelo mimo de amar: e não percebemquanto se pulverizam no enlaçar-se,e como o que era mundo volve a nada. Nada, ninguém. Amor, puro fantasmaque os passeia de leve, assim a…
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Vinicius de Moraes – Soneto de Carnaval

Distante o meu amor, se me afigura O amor como um patético tormento Pensar nele é morrer de desventura Não pensar é matar meu pensamento. Seu mais doce desejo se amargura Todo o instante perdido é um sofrimento Cada beijo lembrado uma tortura Um ciúme do próprio ciumento. E vivemos partindo, ela de mim E…
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Petrarca – Soneto XXXII

Quanto mais perto estou do dia extremo Que o sofrimento humano torna breve, Mais vejo o tempo andar veloz e leve E o que dele esperar falaz e menos. E a mim me digo: Pouco ainda andaremos De amor falando, até que como neve Se dissolva este encargo que a alma teve, Duro e pesado,…
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Vinicius de Moraes – Soneto do Gato Morto

Um gato vivo é qualquer coisa linda Nada existe com mais serenidade Mesmo parado ele caminha ainda As selvas sinuosas da saudade De ter sido feroz. À sua vinda Altas correntes de eletricidade Rompem do ar as lâminas em cinza Numa silenciosa tempestade. Por isso ele está sempre a rir de cada Um de nós,…