Tag: Solidão
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Joseph Stroud – Lendo Kaváfis sozinho na cama

Eu também me lembro do passado, meu quarto à luz de velas,e da noite em que ela entrou e tocou meu rosto com o delacom boca, língua e lábios,da noite no pomar, do aroma das frutas,seus seios – lembra, corpo?* – aquele quarto,lembra? – nossos gritos, as velas bruxuleantes? Trad.: Nelson Santander * N. do…
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Nathan McClain — Nighthawks, de Edward Hopper

Nighthawks*, de Edward Hopper Vê como ela está sentada perto do homemde terno azul? Vê como as mãos delesquase se tocam? Como ela me lembraminha mãe — uma mulher de vermelho tomando café. Vê?Hopper obviamente se sentia só.Por que outro motivo pintaria ela, minha mãe,sentada ali assim? E isso me faria o quê?O balconista de…
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Adam Tedesco – Pânico

A beleza da vida é quesempre alguém está morrendo Do lado de fora, uma abelhaescreve meu nome em mel Às vezes, os truques se desfazem sozinhose é por isso que os chamamos de mágica Às vezes, as pessoas dizem mágicoquando querem dizer sexual Do outro lado da porta, um animal escrevemeu nome com o sangue…
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Amadeu Baptista – Sentido

Deixou de fazer sentido voltarPara casa para comer sozinho,Para dormir sozinho, para viverSozinho. Nenhum cão me espera, Nenhuma jarra onde tenhas postoUm ramo de rosas amarelas, Um lenço perfumado, uma almofadaEm que tenham ficado as tuas marcas De sono agitado. Deixou de fazerSentido ter em frente este horizonteDe pedras que o mar já não contém,…
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Manuel Halpern – Domingo de manhã

Quantos homensse apaixonam por tiao sábado à tardeenquanto passeiam os filhosno parquee se distraemdo balançodo baloiçona adivinhaçãodas partes do corpoque trazes tapadas Mal sabem que a tua solidãonão se preenchecom a desventura eróticade um corpoque te cubrasem consoloNão há faltade quem se deitecontigosábado à noiteapenas quem acordeao teu ladodomingo de manhã REPUBLICAÇÃO: poema publicado na…
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Ada Limón – A máquina do silêncio

Estou aprendendo tantas maneiras diferentes de ficar quieta. Há o jeito como fico no gramado, esse é um deles. Há também o jeito como fico no campo do outro lado da rua, esse é outro, porque estou mais longe das pessoas e, portanto, é mais provável que eu fique sozinha. Há o jeito como não…
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Faith Shearin – O que eu gosto

Não da festa em si — um turbilhão de momentos desconfortáveis e risosque, na verdade, querem dizer outra coisa. Não do momento logo após o fimda festa, quando nos jogamos no sofá, pratos espalhados por toda parte,bitucas de cigarro flutuando no refrigerante, um único pedaço intocado de torta sobre a mesa de centro. O que…
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Kwame Dawes – Solidão

Tenho voltado a conversar com árvores em pleno inverno; não com as das bordas,aquelas seguras, contemplando a rodovia; mergulho fundo, onde a neve é em pó, cristalina sob a luz. Dialogamos, os ramos roçam uns nos outroscomo insetos sibilantes o frio acalma até meu coração inquieto;aqui, o silêncio é absoluto. A cada passo, sou surpreendido…
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Manuel Vilas – O último Elvis

Respeita sempre a decadência das mulherese dos homens que amaram ou pelo menos tentaram amara vida e esta os chamuscou ou lhes quebrou os ossos da face,as entranhas e as veias e o fígado e o nobre coração.Respeita todos os sagrados e humildes naufrágiosdos seres humanos. Respeita aqueles que se suicidaram. Respeita aqueles que se…
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Wendell Berry – Eles se sentam juntos na varanda

Eles se sentam juntos na varanda, a escuridãoAproximando-se, a casa atrás deles na penumbra.Terminada a refeição, lavaram e secaramA louça – apenas dois pratos agora, dois copos,Duas facas, dois garfos, duas colheres – tarefa pequena para dois.Ela se senta com as mãos cruzadas no colo,Em repouso. Ele fuma seu cachimbo. Não trocam palavras,E quando finalmente…