Amadeu Baptista – Sentido

Amadeu Baptista – Sentido

Deixou de fazer sentido voltar
Para casa para comer sozinho,
Para dormir sozinho, para viver
Sozinho. Nenhum cão me espera,

Nenhuma jarra onde tenhas posto
Um ramo de rosas amarelas,
Um lenço perfumado, uma almofada
Em que tenham ficado as tuas marcas

De sono agitado. Deixou de fazer
Sentido ter em frente este horizonte
De pedras que o mar já não contém,

Este tecido de espuma a desfazer-se.
O que aqui ardia já não arde
E a noite é sempre longa e mutilada.

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