Tag: Memória
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Billy Collins – Pardal de Natal

A primeira coisa que ouvi esta manhãfoi um rápido bater de asas, suave, insistente — asas contra o vidro, como descobrilá embaixo, quando vi o pequeno pássaroamotinando-se na moldura de umajanela alta, tentando lançar-se através do enigma do vidro para a vastidão da luz. Então, um som da garganta do gatoque estava acocorado sobre o…
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Amalia Bautista – Os meus melhores desejos

Que a vida te pareça suportável.Que a culpa não afogue a esperança.Que não te rendas nunca.Que o caminho que sigas seja sempre escolhidoentre dois pelo menos.Que te interesse a vida tanto como tu a ela.Que não te apanhe o víciode prolongar as despedidas.E que o peso da terra seja levesobre os teus pobres ossos.Que a…
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Amalia Bautista – Façamos uma limpeza geral

Leia “Façamos uma limpeza geral”, de Amalia Bautista, um poema delicado e profundo sobre memória, desapego e a coragem de recomeçar.
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Ricardo Silvestrin – Sem Título

Lá no horizonte, o ar frio. Mais perto de você, a saudade. Fotografias. Um quadro completo. Vale a pena ver só. A verdade é uma escultura, se você quiser anunciar.
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Federico García Lorca – 1910 (Intermezzo)

“1910 (Intermezzo)”, um poema de Federico García Lorca que revisita o olhar inaugural da infância para revelar, entre imagens oníricas e presságios, o vazio oculto no curso inevitável das coisas.
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William Carlos Williams – A Árvore sem Folhas

A cerejeira sem folhas mais alta que o teto deu ano passado muita fruta. Como falar porém de fruta diante desse esqueleto? Embora possa estar vivo não há fruta nele. Por isso derrubem-no e usem a lenha contra este frio cortante. Trad.: José Paulo Paes The bare tree The bare cherry tree higher than…
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Ivan Junqueira – Antes que o Sol se Ponha

Antes que o sol se ponha e seja tarde, e o azul crepuscular me deite a garra, e eu, nu, retorne à terra sem fanfarra ou mortalha que o corpo me resguarde; antes que murche a pétala na jarra, e eu cale, para sempre, sem alarde, e tudo o que me coube, por covarde, não…
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Cassiano Ricardo – Depois de Tudo

Mas tudo passou tão depressa Não consigo dormir agora. Nunca o silêncio gritou tanto Nas ruas da minha memória. Como agarrar líquido o tempo Que pelos vãos dos dedos flui? Meu coração é hoje um pássaro Pousado na árvore que eu fui.
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Mario Benedetti – Em Pé

Continuo em pé por pulsar por costume por não abrir a janela decisiva e olhar de uma vez a insolente morte essa mansa dona da espera continuo em pé por preguiça nas despedidas no fechamento e demolição da memória não é um mérito outros desafiam a claridade o caos ou a tortura continuar em pé…
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Mario Benedetti – Lento mas vem

Lento mas vem o futuro se aproxima devagar mas vem hoje está mais além das nuvens que escolhe e mais além do trovão e da terra firme demorando-se vem qual flor desconfiada que vigila ao sol sem perguntar-lhe nada iluminando vem as últimas janelas lento mas vem o futuro se aproxima devagar mas vem já…