Tag: Memória
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António Franco Alexandre – Quero dizer-te: não morras

quero dizer-te: não morras. Nem me digas quem és, quem foste, como sabes a língua que se fala sobre a terra. Ao lume lanço toda a vontade de viver, ser vivo, a cautela do ar, ardendo em torno. Passarei, terás passado em mim, só quero dizer-te: não morras nunca, agora, nunca mais.
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Albano Martins – Lembra-te

Leia “Lembra-te”, de Albano Martins, um poema breve e intenso sobre memória, passagem do tempo e os caminhos inevitáveis da existência.
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Hilda Hilst – Obriga-me

E por que haverias de querer minha alma Na tua cama? Disse palavras líquidas, deleitosas, ásperas Obscenas, porque era assim que gostávamos. Mas não menti gozo, prazer, lascívia Nem omiti que a alma está além, buscando Aquele Outro. E te repito: por que haverias De querer minha alma na tua cama? Jubila-te da memória de…
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Billy Collins – Pardal de Natal

A primeira coisa que ouvi esta manhãfoi um rápido bater de asas, suave, insistente — asas contra o vidro, como descobrilá embaixo, quando vi o pequeno pássaroamotinando-se na moldura de umajanela alta, tentando lançar-se através do enigma do vidro para a vastidão da luz. Então, um som da garganta do gatoque estava acocorado sobre o…
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Amalia Bautista – Os meus melhores desejos

Que a vida te pareça suportável.Que a culpa não afogue a esperança.Que não te rendas nunca.Que o caminho que sigas seja sempre escolhidoentre dois pelo menos.Que te interesse a vida tanto como tu a ela.Que não te apanhe o víciode prolongar as despedidas.E que o peso da terra seja levesobre os teus pobres ossos.Que a…
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Amalia Bautista – Façamos uma limpeza geral

Leia “Façamos uma limpeza geral”, de Amalia Bautista, um poema delicado e profundo sobre memória, desapego e a coragem de recomeçar.
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Ricardo Silvestrin – Sem Título

Lá no horizonte, o ar frio. Mais perto de você, a saudade. Fotografias. Um quadro completo. Vale a pena ver só. A verdade é uma escultura, se você quiser anunciar.
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Federico García Lorca – 1910 (Intermezzo)

“1910 (Intermezzo)”, um poema de Federico García Lorca que revisita o olhar inaugural da infância para revelar, entre imagens oníricas e presságios, o vazio oculto no curso inevitável das coisas.
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William Carlos Williams – A Árvore sem Folhas

A cerejeira sem folhas mais alta que o teto deu ano passado muita fruta. Como falar porém de fruta diante desse esqueleto? Embora possa estar vivo não há fruta nele. Por isso derrubem-no e usem a lenha contra este frio cortante. Trad.: José Paulo Paes The bare tree The bare cherry tree higher than…
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Ivan Junqueira – Antes que o Sol se Ponha

Antes que o sol se ponha e seja tarde, e o azul crepuscular me deite a garra, e eu, nu, retorne à terra sem fanfarra ou mortalha que o corpo me resguarde; antes que murche a pétala na jarra, e eu cale, para sempre, sem alarde, e tudo o que me coube, por covarde, não…