Tag: Memória
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Edgar Allan Poe – Berenice

A DESGRAÇA É VARIADA. O infortúnio da terra é multiforme. Arqueando-se sobre o vasto horizonte como o arco-íris, suas cores são como as deste, variadas, distintas e, contudo, intimamente misturadas. Arqueando-se sobre o vasto horizonte como o arco-íris! Como de um exemplo de beleza, derivei eu uma imagem de desencanto? Da aliança da paz, uma…
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Algernon Charles Swinburne – Um Amigo Morto

Leia “Um Amigo Morto”, de Algernon Charles Swinburne, uma comovente elegia sobre amizade, memória e a permanência do amor após a morte.
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Jorge Luis Borges – O Suicida

Não ficará na noite uma estrela. Não ficará a noite. Morrerei e comigo a suma Do intolerável universo. Apagarei as pirâmides, as medalhas, Os continentes e as caras. Apagarei a acumulação do passado. Farei pó a história, pó o pó. Estou olhando o último poente. Ouço o último pássaro. Lego o nada a ninguém. Trad.:…
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Carlos Drummond de Andrade – Carta

Bem quisera escrevê-la com palavras sabidas, as mesmas, triviais, embora estremecessem a um toque de paixão. Perfurando os obscuros canais de argila e sombra, ela iria contando que vou bem, e amo sempre e amo cada vez mais a essa minha maneira torcida e reticente, e espero uma resposta, mas que não tarde; e peço…
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Giórgos Seféris – Existe

Existe, pelos deuses cruéis predestinada, uma dor universal, e cada um de nós dela pega a sua parte, quanto aguente levar. Julgamos insensatos os que, carregando pressurosamente nos ombros mais do que podiam carregar, aliviam assim a carga comum: os heróis, os mártires, os criminosos. Rogo-lhes que nos perdoem. Recordamos. Trad.: José Paulo Paes
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Carlos Drummond de Andrade – Palavras no Mar

Escrita nas ondas a palavra Encanto balança os náufragos, embala os suicidas. Lá dentro, os navios são algas e pedras em total olvido. Há também tesouros que se derramaram e cartas de amor circulando frias por entre medusas. Verdes solidões, merencórios prantos, queixumes de outrora, tudo passa rápido e os peixes devoram e a memória…
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Giuseppe Ungaretti – Natal

Não me apetece mergulhar em um novelo de estradas Carrego tanto cansaço sobre os ombros Deixe-me assim como uma coisa pousada em um canto e abandonada Aqui não se sente senão o bom calor Estou com as quatro cabriolas de fumo da lareira
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Antonio Cicero – História

A história, que vem a ser? mera lembrança esgarçada algo entre ser e não-ser: noite névoa nuvem nada. Entre as palavras que a gravam e os desacertos dos homens tudo o que há no mundo some: Babilônia Tebas Acra. Que o mais impecável verso breve afunda feito o resto (embora mais lentamente que o bronze,…
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Dante Milano – Ao Tempo

Tempo, vais para trás ou para diante? O passado carrega a minha vida Para trás e eu de mim fiquei distante, Ou existir é uma contínua ida E eu me persigo nunca me alcançando? A hora da despedida é a da partida A um tempo aproximando e distanciando… Sem saber de onde vens e aonde…
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Jorge Luis Borges – Limites

Há uma linha de Verlaine que não voltarei a recordar, Há uma rua próxima que está vedada a meus passos, Há um espelho que me viu pela última vez, Há uma porta que fechei até o fim do mundo. Entre os livros de minha biblioteca (estou vendo-os) Há algum que já nunca abrirei. Este verão…