Ramón de Garciasol – Ávila do Silêncio

Silêncio: cala-me até as raízes,
lava minha carne, meu suor de morte,
a caspa cotidiana. Quero ver-te,
Senhor, em paz, pelo que me dizes

sem esta feroz contenda confusa,
extinta a chama, pedra pura
de eternidade sem fim, viva verdura
sem o sal da dor e das cinzas.

Silêncio: chove mais. A terra dura
está sedenta nos torrões. Vaza
para além dos meus ossos. A sepultura

ainda é distante. Posso mal e mal
com meu cansaço de réptil. A asa,
Senhor, aguarda do teu dedo o sinal.

Trad.: Nelson Santander

Ávila del silencio

Silencio: Cálame hasta las raíces,
lava mi carne, mi sudor de muerte,
la caspa cotidiana. Quiero verte,
Señor, en paz, por lo que me dices

sin esta feroz lucha banderiza,
apagada la llama, pura piedra
de eternidad sin fin, pared de hiedra
sin la sal del dolor y la ceniza.

Silencio: Llueve más. La tierra dura
está sedienta en los terrones. Cala
mis huesos más allá. La sepultura

está lejos aún. Apenas puedo
con mi cansancio de reptil. El ala,
Señor, aguarda el signo de tu dedo.

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