Tag: Infância
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Anne Sexton – Para o meu Amante Voltando Para a Esposa

Ela está bem aqui. Ela foi cuidadosamente esculpida para você saída de sua infância saída dentre seus cem colegas de escola preferidos. Ela sempre esteve aqui, meu bem. Ela é de fato extraordinária. Fogos de artifício no meio do sempre maçante Fevereiro e tão real como uma panela de ferro fundido. Vamos ser sinceros, eu…
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Vitor Nogueira – Sementes

É claro que me lembro. Havia dois atalhos pelo meio do pinhal, direcções espantosamente precisas, animais que não voltei a ver. Enquanto as colheitas amadureciam nos campos, havia talismãs pendurados nas árvores e mercúrio para tratar certas lesões, uma peça vital do equipamento. Havia girassóis à volta da casa e as palavras imortais dos…
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Sylvia Plath – Limite

A mulher está perfeita. Seu corpo Morto enverga o sorriso de completude, A ilusão de necessidade Grega voga pelos veios da sua toga, Seus pés Nus parecem dizer: Já caminhamos tanto, acabou. Cada criança morta, enrodilhada, cobra branca, Uma para cada pequena Tigela de leite vazia. Ela recolheu-as todas Em seu corpo, como pétalas Da…
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Ana Martins Marques – a parte que me cabe

a parte do teu corpo que procura pelo sol como os gatos pela casa a parte que permanece imóvel quando cantas, aquela que se move quando estás parado a parte que apenas a mim e de relance, por descuido revelaste a parte onde guardas as memórias de infância, a parte que ainda anseia pelo futuro…
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Angela Lago – Sem Título

a pedra estará aqui daqui a vinte anos quem sabe mais polida embora não se veja ou mais recortada pelo vento a árvore terá crescido com sua sombra nem o céu permanece azul ou cinza rubro dorado negro no entanto tem essa criança que busca colo – que seja um cão que vem ao teu…
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Federico García Lorca – 1910 (Intermezzo)

“1910 (Intermezzo)”, um poema de Federico García Lorca que revisita o olhar inaugural da infância para revelar, entre imagens oníricas e presságios, o vazio oculto no curso inevitável das coisas.
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Frank O’Hara – Autobiographia Literaria

Quando era menino eu brincava sozinho num canto do pátio da escola sem ninguém. Odiava bonecas e odiava jogos, os bichos eram hostis e os pássaros fugiam. Se alguém me procurava eu me escondia atrás de uma árvore e gritava “Sou um órfão.” E olha eu aqui, o centro de toda beleza! escrevendo estes versos!…
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Hilda Hilst – Roteiro do Silêncio

Não há silêncio bastantePara o meu silêncio.Nas prisões e nos conventosNas igrejas e na noiteNão há silêncio bastantePara o meu silêncio.Os amantes no quarto.Os ratos no muro.A meninaNos longos corredores do colégio.Todos os cães perdidosPelos quais tenho sofrido:O meu silêncio é maiorQue toda solidão.E que todo silêncio.
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Paulo Henriques Britto – Geração Paissandu

Vim, como todo mundo do quarto escuro da infância, mundo de coisas e ânsias indecifráveis, de só desejo e repulsa. Cresci com a pressa de sempre. Fui jovem, com a sede de todos, em tempo de seco fascismo. Por isso não tive pátria, só discos. Amei, como todos pensam. Troquei carícias cegas nos cinemas, li…
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Paulo Henriques Britto – De “Bonbonnière”

I A seletividade da memória — a cor exata da pele, a textura, o odor de cada côncavo e orifício, o lábio, a língua, o dente, o plexo solar, a sola do pé, o suor e a saliva, a coxa arisca, a dobra escura, o beijo salobro, o sabor difícil, a carne assombrada, o esperma…