Tag: desejo
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Antonio Colinas – Envio

Lembras-te ainda do débil cantodo rouxinol perdido na ramagem?Viste farfalhar comigo naquela noitea copa do cipreste. Desfez-seo céu em fios de luar sobre teu rosto.Mas depois do pássaro e da luaapagaram-se os astros. Vi passarnão sei que brisa estranha pelo teu corpo.Lembras-te das nossas mãos na água?Lembras-te do silêncio sobre o campoe, como um deus exangue, do…
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Joan Margarit – Alguém

Tinha que salvar-me com seus olhos azuis cravados ainda em uma lembrança da adolescência, a estranha fase de precipitar-se, sem queixa nenhuma, ao fundo do abismo. Do bonde, a fugaz imagem de uma garota em uma varanda, e o número de um telefone anotado como uma cicatriz na memória. Nunca estive a seu lado, inventava…
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A. M. Pires Cabral — Confesso que voei

1 Mas, se nestas seis décadas e meia eu fui capaz de algum voo — concedo: semelhante ao das galinhas, isto é, rudimentar, desgracioso, com muitíssimo dispêndio de energia para pouca ascensão, breve e apenas em desespero de causa; em todo o caso uma forma de voo pelo qual me sustentei no ar em horas…
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Manuel António Pina – As escadas

Toma, este é o meu corpo, o que sobe as escadas em direção à tua escuridão, deixando-me, ou a alguma coisa menos tangível, no seu lugar. Também elas envelheceram, as escadas, também, como eu, desabitadas. Anoiteceu, ao longe afastam-se passos, provavelmente os meus, e, à nossa volta, os nossos corpos desvanecem-se como terras estrangeiras.
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Joseph Stroud – Perdido

O cervo se distancia de mim e continua sem pressaao longo da colina sem sequer olhar para trás,para onde estou, e de onde começo a cruzarum campo de neve dentro do meu corpo e me percoenquanto uma cinza branca cai do céu encobrindo meus rastrose não há como encontrar o caminho de volta. Trad.: Nelson…
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Luis Alberto de Cuenca – O Sagrado

A maquiagem é suspeita, sempre.Tu, recém-saída da cama,sem nada além do teu gloriosocorpo desgastado pelas decepçõese pelos desenganos, mas eretocomo uma árvore ao vento da vidaque arrasta tudo pela frente:essa é minha religião, a únicavisão do sagrado que conheço. Trad.: Nelson Santander Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para manter…
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Eugénio de Andrade – De “As mãos e os frutos”

XIX Terra: se um dia lhe tocares o corpo adormecido, põe folhas verdes onde pões silêncio, sê leve para quem o foi contigo. Dá-lhe o meu cabelo para sonho, e deixa as minhas mãos para tecer a mágoa infinita das raízes que no seu corpo um dia hão-de beber
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William Butler Yeats – As quatro idades do homem

As quatro idades do homem, um poema de William Butler Yeates: Com seu corpo principiou uma rinha O corpo venceu; ereto ele caminha. Ele lutou então com o coração; Sua inocência e sua paz já se vão.
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Maria do Rosário Pedreira – Onde quer que o encontres

Onde quer que o encontres – escrito, rasgado ou desenhado: na areia, no papel, na casca de uma árvore, na pele de um muro, no ar que atravessar de repente a tua voz, na terra apodrecida sobre o meu corpo – é teu, para sempre, o meu nome.
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Sophia de Mello Breyner Andresen – Quando

Quando o meu corpo apodrecer e eu for morta Continuará o jardim, o céu e o mar, E como hoje igualmente hão-de bailar As quatro estações à minha porta. Outros em Abril passarão no pomar Em que eu tantas vezes passei, Haverá longos poentes sobre o mar, Outros amarão as coisas que eu amei. Será…