Tag: Carpe Diem
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Francisco Brines – Os Verões

A Carmen Marí Foram longos e ardentes os verões!Ficamos nus juntos ao mar,e o mar ainda mais nu. Com os olhos,e em corpos ágeis, praticávamosa mais prazerosa posse do mundo. Éramos tocados por vozes banhadas de lua,e era a vida vulcânica e violenta,ingratos com o sonho, fluíamos.O ritmo sombrio das ondasnos abrasava eternamente, e éramos…
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Abel Silva – O Poço

A moeda do Acasocai tão fundono Poço dos Destinosque vivemos descoladosdo viver do outro,como num contrato de comportamento.O milagre do viver nos entorpece.Então a notícia da doença de um amigo,o convite para a missa de um outro,um susto, um alarme, uma suspeitanos vareja no rosto uma aragem de morte.Às vezes choramos,ficamos desorientadosmas abrimos os olhos,levantamos…
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Ian Hamilton – Poema de Aniversário

Segura em tuas mãos,Tua caneca de barbear da Exposição do Império.Tu a guardas agoraComo escarradeira, suas pombas inchadas,Seu 1938Manchado pelas gotas de teu sangue.Nesta noite,Meio sufocado, canceroso,Desenganado,Mordes sua boca dourada de porcelanaE esperas por um ataque. Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO, com alterações na tradução: poema publicado na página originalmente em 15/11/2018 Ian Hamilton – Birthday…
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Randall Jarrell – O rosto

O Rosto Die alte Frau, die alte Marschallin!* Não é mais agradável, tampouco belo, Nem mesmo jovem. Este não é o meu. Onde está o antigo, os anteriores? Aqueles eram os meus. É assim: eu tenho fotos, Mas não tão antigas; as pessoas se comportavam De forma diferente antigamente… quando me encontram hoje, dizem: Você…
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José Mateos – Canção 1

Ainda quase um meninoe sentaste a esperar àbeira do grande silêncio. Pensavas que, a sóscom tua voz, talvez pudessesroubar ao mar seu segredo. Foi-se a tua juventude.Mudos passaram os anose agora estás oco por dentro. Poderias, se enfim soasseo acorde do grande silêncio,chegar a cantar seu eco? Trad.: Nelson Santander REPUBLICAÇÃO poema publicado na página…
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Alison Luterman – Eu admito

Eu a perseguino mercado; sua coroade tranças de neve presa por uma grande presilha prateada,seu porte ereto, irradiando ternura,a maneira como ela colocava iogurte e abacates em sua cesta,emanando paz como a Estrela Polar.Eu queria perguntar: “Em que corredor você encontrousua serenidade, você sabecomo manter um casamento de cinquenta anos, ou como viver só,desculpe-me por…
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Philip Larkin – Continuar a viver

Continuar a viver – isto é, repetirUm hábito formado para obter o necessário –Quase sempre significa perder, ou passar sem. É variável. Essa perda de interesse, cabelos e ambição –Ah, se o fosse pôquer, sim,Você poderia descartá-los, fazer um full house! Mas é xadrez. E uma vez que tenha percorrido toda a extensão da mente,O que você…
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Paulo Henriques Britto – “Da metafísica”

Ser parte de alguém ou algotão grande que não se entenda:toda crença, ao fim e ao cabo,se resume a essa lenda – o mais rematado dislate,coisa jamais entendida,que eleva ao sumo quilateo caco mais reles de vida. REPUBLICAÇÃO: poema publicado na página originalmente em 04/11/2018
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Laura Gilpin – Vida após a morte

O que eu sei:como os vivos seguem vivendoe como os mortos seguem vivendo com eles Assim, em uma floresta,mesmo uma árvore morta projeta uma sombrae as folhas caem uma a umae os galhos se partem com o ventoe a casca se desprende lentamentee o tronco se rachae a chuva se infiltra através das rachadurase o…
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Platão – da “Antologia Grega”

Epigrama atribuído a Platão, da “Antologia Grega”, que transforma o espelho em símbolo cruel da passagem do tempo e da perda da antiga beleza.