Tag: Carpe Diem
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Faith Shearin – O que eu gosto

Não da festa em si — um turbilhão de momentos desconfortáveis e risosque, na verdade, querem dizer outra coisa. Não do momento logo após o fimda festa, quando nos jogamos no sofá, pratos espalhados por toda parte,bitucas de cigarro flutuando no refrigerante, um único pedaço intocado de torta sobre a mesa de centro. O que…
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Maureen Seaton – Preparem-se para dias melhores

Preparem-se para dias melhores — Virgilio, Eneida Não vou me guardar para dias melhores.Vou me consumir agora – e depois vou me consumir novamente amanhã.É por isso que mantenho os olhos abertos a noite toda e meu coração se precipita em direção às estrelas.Para ver quais decidem permanecer imóveis e criar uma constelação ao meu redor…
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Sharon Olds — Cemitério de Leningrado, Inverno de 1941

Naquele inverno, os mortos não puderam ser enterrados.O solo estava congelado, os coveiros fracos de fome, a madeira dos caixões era usada como combustível. Por isso, eles foram cobertos com algoe levados em um trenó de criança para o cemitério,no ar abaixo de zero. Eles jaziam no solo,alguns envoltos em um pano escuroamarrado com corda…
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Aleksandr Blok – Cleópatra

Cleópatra O museu triste da rainhaHá um, dois, três anos já se abriu.Bêbada e louca a turba ainda se apinha…Ela espera no túmulo sombrio. Jaz na sinistra caixaDe vidro, nem morta nem viva.Sobre ela a multidão salivaPalavras torpes em voz baixa. Ela se estende preguiçosamenteNo sono eterno a que se recolhera…Lenta e suave, uma serpenteMorde…
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Manuel Vilas – O último Elvis

Respeita sempre a decadência das mulherese dos homens que amaram ou pelo menos tentaram amara vida e esta os chamuscou ou lhes quebrou os ossos da face,as entranhas e as veias e o fígado e o nobre coração.Respeita todos os sagrados e humildes naufrágiosdos seres humanos. Respeita aqueles que se suicidaram. Respeita aqueles que se…
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Sharon Olds – Depois

Depois que o urso de 250 quilos passa por mim,da esquerda para a direita, a apenas um metro e meio de distância,percebo que agora começo a respirar pesadamenteno meio dos meus doze degraus — então eu medeito na cama e ofego por um tempo.E o tremor se intensifica, de modo que, quando estou cozinhando,literalmente misturo…
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Mark Perlberg – A segunda vida das árvores de natal

Em um janeiro congelante, meus amigos e euarrastávamos árvores de natal descartadasdas calçadas de nossa cidade tiritantepara um terreno baldio. Um fósforo aceso e o fogocorreu por um galho seco como um jorro de vida.Um sopro de vento e a pilha se incendiou,flamejou acima de nossas cabeças. Ondas de seda.Aroma de breu e bálsamo em…
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Juan Luis Panero – Mensagem de Antonio a Cleópatra

Mensagem de Antonio a Cleópatra I Elogiem outrostua beleza adormecida,a suavidade de tua pele em repouso,a medida perfeição de teus membros.Eu não vim por isso,vim somente para te penetrarpela frente e por tráscomo um punhal que atravessaa água límpidae afunda e se perdeno poço sombrio. Mensagem de Cleópatra a Antonio II Não louves minha beleza,outros…
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Berta Piñán – Duas Garças

Chegaram no sábado. Vimo-lascedo porque nesse dia chegoutambém o frio e passamosa manhã falando do tempo.São duas, e me pergunto quedestino imprevisto as trouxea esta árvore precisa, a este exatolugar onde o tempo delascruza, como um enigma confuso,nosso tempo.À tarde, conversamos sobre elas:“Esta espera delas, imóvel, paciente – dizes -,não sei que imagem estranha e…
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Ian Hamilton – Pai à beira da morte

Seus dedos, tufos de pelos de cobertorPresos sob as unhas, se estendem para tocarAs rosas ao lado da cama, despetalando com o calor.Caem pétalas brancas. Presas em sua mãoElas escurecem, empapadas em suor, depois enrolam,Secam e caem. Hora após horaElas gotejam do ramo. Por fimEle está limpo e, quando você o toca, frio.Você se inclina para observar…