Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Joan Margarit – No álbum

És tu antes de partir,quando ainda vivias em casa.O olhar brilhante que nos recompensava.Teu nome foi ficando para trás,na foto de onde ainda nos sorriscomo se tudo fosse para sempree nada tivesse acontecido em outro lugar,nem no sorriso que hoje desconhecemos,longe do que teu rosto exibe neste álbum.Este sorriso, agora, é só para nós:convive com…
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Maria Mercedes Carranza – Kavafiana

O desejo aparece de repente,em qualquer sítio, a propósito de nada.Na cozinha, caminhando pela rua.Basta um olhar, um aceno, um roçar.Mas dois corpostêm também o seu amanhecer e o seu acaso,a sua rotina de amor e de sonhos,de gestos sabidos até ao cansaço.Dispersam-se os risos, deformam-se.Há cinzas nas bocase o íntimo desdém.Dois corpos têm a…
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Amalia Bautista – A pesagem do coração

Leia “A pesagem do coração”, de Amalia Bautista, um poema delicado e profundo sobre ética, compaixão e o legado que deixamos após a morte.
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Amalia Bautista – S.O.S.

Protege-me do medo e das sombrasdefende-me de todas as tristezas,exila de minha vida o desconsolo,se puderes, com teu amor, se nãocom o fim do mundo ou com a minha morte. Trad.: Nelson Santander S.O.S Protégeme del miedo y de las sombras,defiéndeme de todas las tristezas,destierra de mi vida el desconsuelo.si puedes, con tu amor, y…
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José Hierro – Réquiem

Manuel del Río, naturalda Espanha, faleceu no sábado,onze de maio, em consequênciade um acidente. Seu cadáverestá estendido na funerária D´Agostino. Haskell. Nova Jersey.Uma missa cantada será celebradaàs nove e meia, em St. Francis. É uma história que começacom sol e pedra, e que terminasobre uma mesa, no D’Agostino,com flores e círios elétricos.É uma história que…
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Luis Alberto de Cuenca – O Sagrado

A maquiagem é suspeita, sempre.Tu, recém-saída da cama,sem nada além do teu gloriosocorpo desgastado pelas decepçõese pelos desenganos, mas eretocomo uma árvore ao vento da vidaque arrasta tudo pela frente:essa é minha religião, a únicavisão do sagrado que conheço. Trad.: Nelson Santander Mais do que uma leitura, uma experiência. Clique, compre e contribua para manter…
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Joan Margarit – Vida Social

Idealizavas esta solidãopara ouvir música ou ler,e caminhar no inverno junto ao mar.Mas a solidão é uma chuvaque suja as janelas deste trem dos anos.A solidão é a palavra crueldo acre ressentimento familiar.É a lei do acaso, um labirinto injusto.É não ter dinheiro, é ter medo.É o sexo, uma estranha pista falsaque conduz ao mais…
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Joan Margarit – El Primer Frío

Acompanhei-te até o museu, no parque,em uma manhã de inverno. Detivemo-nosdiante daquela escultura: El primer frío.Era de mármore cinzento: um velho, nu,olha ao longe, entre as folhas mortasque o vento carrega.A arte não é diferente da vida,lembro que disseste. Mas euvia apenas um mármore frio,um tanto retórico, e pensava em garotas.Entre aquele dia e hoje,…
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Ángel González – O amanhã é um mar profundo que precisamos atravessar a nado

Queria ser alga, alga enredada na parte suave de tuas coxas. Sopro de brisa nas tuas bochechas. Leve areia sob tua pegada. Queria ser água, água salgada quando corres nua no litoral. Sol cortando em sombra tua banal Silhueta virgem recém-molhada. Tudo quisera ser, indefinido, ao teu redor: vista, luz, ambiente gaivota, céu, navio, vela,…
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Joan Margarit – Astapovo

De madrugada, quando só se ouvemrelógios no escuro,eu o imagino, com seus oitenta anos,fugindo em um trem russo que ia para o sul,de lugar nenhum, para onde os velhos sonham ir.Tolstói temia aquele invernoque o acompanhou durante a velhiceaté o leito de morte ferroviário,na noite em que o telégrafotransmitiu a mais breve e cruelde todas…