Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Joan Margarit – Por que fomos covardes

Não poderás esquecer meu corpo esguio e ágil. Sempre farás amor com uma sombra de olhos azuis, e estarás tão só como em uma vingança. Ao longe, as luzes de Roses cintilam assim como a minha memória. Há uma fúria triste, mas ninguém no final. Perdemos o cavalo sem cavaleiro que nunca passa uma segunda…
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Idea Vilariño – Não mais

Não mais será não mais não viveremos juntos não criarei teu filho não coserei tua roupa não te terei à noite não te beijarei ao partir nunca saberás quem fui por que outros me amaram. Não chegarei a saber por que nem porque nunca nem se era verdadeiro o que disseste que era nem quem…
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Luis Alberto de Cuenca – O véu protetor

Amanheceu e nós estávamos dentro da vil realidade, o que não pode ser bom. Melhor seria que passassem logo as horas inúteis em que o dia proscreve a aventura com as normas do tédio laboral, e que voltassem a noite e as suas estrelas a envolver-nos no seu véu fantástico e a dar-nos a inútil…
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Jaime Gil de Biedma – Depois da morte de Jaime Gil de Biedma

No jardim, lendo, a sombra da casa tolda as páginas e o frio repentino do final de agosto faz-me pensar em ti. O jardim e a casa vizinha onde piam os pássaros nas trepadeiras, uma tarde de agosto, quando começa a anoitecer e tem-se ainda o livro nas mãos, eram, lembro-me, teu símbolo da morte.…
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Vicente Gaos – Homem Total

“Homem Total”, um poema de Vicente Gaos que homenageia Lope de Vega ao revisitar suas paixões e musas, refletindo sobre a intensidade do amor, a fugacidade dos anos e a elevação espiritual que transcende os gozos e pesares da experiência humana.
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Joan Margarit – Monumentos

O vazio que sentes, cada vez com mais força,é o dos traidores.Também os monumentos, por dentro, são vazios,com as entranhas cheias de ferrugem e de morte:escuros e corroídos pela história,é tão sinistro seu interiorcomo arrogante o gesto que no ardesenha a personagem.À medida que os amigos nos traem– e a morte é também uma traição…
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Joan Margarit – Ela

É tempo de não esperar por ninguém. Passa o amor, fugaz e silencioso, como, na distância, um trem noturno. Não resta ninguém. É hora de voltar ao desolado reino do absurdo, ao sentimento de culpa, ao medo vulgar de perder o que estava, já, perdido. Ao inútil e sórdido tempo moral. É hora já de…
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José Manuel Caballero Bonald – Transfiguração do perdido

A música convoca as imagens degradadas do tempo. De onde estão me chamando, de qual penumbra, quando retornam para mim? Nada me pertence senão aquilo que perdi. Máscara do passado, a memória conflui para um fundo difuso de alegrias em que tudo soçobra e se reduz a nada, onde está minha verdade tornando-se mais crédula.…
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Rafael Montesinos – Vida

Nasceu. Viveu feliz. Sorveu a vida de um só e belo trago adolescente. Buscou a solidão, e se viu frente a uma atroz, inesperada ferida. Em desvario, deu para crer em tudo. “Oh sensatez de não se crer em nada!”, disse, e depois a alma, entusiasmada quis sentir a vida de um outro modo. Farto…
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Ángel González – Aniversário

Eu percebo: como estou me tornandomais incerto, confuso,dissolvendo-me no arcotidiano, brutopedaço de mim, desgastadoe em frangalhos. Eu compreendo: vivimais um ano, e isso é muito duro.Pulsar o coração todos os diasquase cem vezes por minuto! Viver um ano requermorrer muito muitas vezes. Trad.: Nelson Santander Cumpleaños Yo lo noto: cómo me voy volviendomenos cierto, confuso,disolviéndome…