Categoria: Poesia em Língua Espanhola
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Jaime Gil de Biedma – Pandêmia e Celeste

Quan magnus numerus Libyssae arenae …………………………….. Aut quam sidera multa, cum tacet nox, Furtiuos hominum uident amores. CATULO, VII Imagina agora que tu e eu muito tarde da noite falamos de homem para homem, enfim. Imagina-o, em uma dessas noites memoráveis de rara comunhão, com a garrafa meio vazia, os cinzeiros sujos, depois de esgotado…
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Joan Margarit – O ano em que ela morreu

Na fotografia em sépiaés jovem e sorri. Faz-me lembraras mulheres dos filmes de guerrada minha infância:barcos na neblina, trens noturnose grandes cidades sob o alarme aéreo.Na lápide está escrito que ela se foino inverno de 44,aos vinte anos, quando me apaixonavapela sufocante escuridãocruzada por um raio de luz, a heroínados sonhos de amor de minha…
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Luís García Montero – Resumo dos fatos

Falei com a morte por telefonee recebi e-mails de amor que foram apagadossem deixar uma única lágrima em papel amarelo.Ninguém esqueça os tempos, mas ninguém se engane:no final, apenas o amor e a morte importam. Trad.: Nelson Santander Resumen de los hechos He hablado con la muerte por teléfonoy he recibido e-mails de amor que…
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Vicente Gaos – Esquecei

Esquece, homem… Esquece que és cinzase em cinzas te tornarás. Esquece esta quarta-feirae o in pulvis reverteris. Pois embora sejas cinza e pó,há vida, amor, beleza ao redor. É verdade: beleza, amor, vida,fugazes flores de um dia. Mas flores, sim. Enquanto durara magia verdadeira de seu perfume, esquece o pó e a morte.É melhor não lembrar…
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Luis Alberto de Cuenca – Mal de ausência

Desde que partiste, não sabes como devagar passa o tempo em Madrid. Vi um filme que terminou apenas há um século. Não sabes que lento corre o mundo sem ti, noiva distante. Os amigos pedem-me que volte a ser o mesmo que o coração apodrece de tanta melancolia, que a tua ausência não vale tanta…
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Francisco Brines – Última declaração de amor

Oh Vida, que tudo me deste. Agora já sei que, sendo isto verdade, nada me deste. Mas deixa-me olhar-te ainda com amor, mesmo que eu já não mais deseje abraçar-te. E embora saibas que eu não te abandono podes tu abandonar-me. Trad.: Nelson Santander Última declaración de amor Oh Vida, que todo me lo has…
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Joan Margarit – Helena

O ontem é teu inferno. É cada instanteem que, sem sabê-lo, te perdestee também cada instante em que foste salvo.Quando o jovem que foste está muito distante,o amor é vingança do passado.Vens de uma guerra em que foste vencido,de armas e acampamentos abandonadosna Troia que levas dentro de ti.Buscar-te-ão de noite os aqueose estreitarão o…
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Vicente Gaos – A vida

Os ardorosos signos da vidapulsam na atmosfera do verão.O mar respira tal como um varão,como uma criatura enfurecida. Oh gozo e amor, sangue furioso,cósmica vibração de um mundo arcano.Mundo que sinto ao tatear teu crâniofrágil quando nele minha mão pouso. Te amo, sim, te amo, sonho forte,Fecho os olhos e te sinto inteira– Oh luz…
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Ramón de Garciasol – Ávila do Silêncio

Silêncio: cala-me até as raízes, lava minha carne, meu suor de morte, a caspa cotidiana. Quero ver-te, Senhor, em paz, pelo que me dizes sem esta feroz contenda confusa, extinta a chama, pedra pura de eternidade sem fim, viva verdura sem o sal da dor e das cinzas. Silêncio: chove mais. A terra dura está…
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Carmen Conde – [Declaro que morreu e que seu túmulo]
![Carmen Conde – [Declaro que morreu e que seu túmulo]](https://singularidadepoetica.art/wp-content/uploads/2019/01/tumblr_inline_phmpjoek1n1ufxp92_1280.jpg)
Declaro que morreu e que seu túmuloestá dentro de mim; sou seu sudário.A ninguém se enterrou porque seu trânsitono tempo foi de loucas esperanças. Circundam o contorno desta cova– quente é a vinha que escala as paredes –os pâmpanos mais tenros e suculentosque arrancam do silêncio seu tumulto. Trad.: Nelson Santander Mais do que uma…